O Web Summit Rio 2026, um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, reuniu lideranças globais para discutir tendências que moldarão o futuro dos negócios. Entre os temas em destaque, a transformação da gestão financeira por meio da inteligência artificial foi abordada por Laura Camargo, CEO e cofundadora da Neofin. Com experiência em empresas como Inventa, Wellhub, General Atlantic, Pátria Investimentos e Santander, Laura apresentou uma visão prática sobre um dos maiores desafios das empresas brasileiras: a dificuldade de transformar vendas em caixa devido à inadimplência, processos manuais e operações de cobrança ineficientes.
Fluxo de caixa: o oxigênio invisível das empresas
Laura iniciou sua apresentação com uma provocação inspirada em Warren Buffett: “O fluxo de caixa é como o oxigênio para o corpo humano. Quando está presente, ninguém pensa nele; quando falta, passa a ser a única coisa que importa.” Ela destacou que, embora o fluxo de caixa seja um indicador crucial para a saúde financeira, muitas empresas ainda tratam a gestão de recebíveis como uma atividade operacional reativa. Atrasos nos recebimentos comprometem investimentos, aumentam a necessidade de capital de giro e pressionam as equipes financeiras, tornando a cobrança uma função estratégica para a sustentabilidade do negócio.
O cenário da inadimplência no Brasil
Dados do Serasa revelam que cerca de 36% das empresas brasileiras (aproximadamente 9 milhões) possuem dívidas reportadas a bureaus de crédito, totalizando mais de US$ 40 bilhões em valores inadimplentes. No mercado consumidor, cerca de 50% da população adulta (82 milhões de pessoas) têm dívidas registradas, somando mais de US$ 100 bilhões. Além disso, mais de 35% das faturas são pagas com atraso, resultando em bilhões de reais presos em contas vencidas e dificultando a previsibilidade financeira das empresas.
O pesadelo das planilhas
Laura cunhou o termo “Spreadsheet Nightmare” para descrever operações de cobrança altamente manuais, baseadas em planilhas descentralizadas e comunicação pouco estruturada. Esse modelo gera falta de indicadores em tempo real, alto volume de intervenção humana, comunicação genérica, ligações em horários inadequados, baixa personalização, sobrecarga dos times financeiros, baixas taxas de recuperação e desgaste no relacionamento com clientes. Muitas empresas tratam todos os inadimplentes de forma igual, ignorando diferenças de comportamento e perfil de risco.
O que é IA agentica?
A Neofin propõe o uso de Agentic AI (IA agentica), que vai além da automação tradicional. Em vez de apenas executar tarefas programadas, a IA agentica analisa informações, interpreta padrões de comportamento, recomenda ações e adapta estratégias conforme cada situação. A tecnologia avalia histórico de pagamentos, perfil do cliente, comportamento financeiro, grau de risco, probabilidade de recuperação, canal com maior chance de resposta e frequência ideal de contato, ajustando a estratégia de cobrança para maximizar a recuperação e melhorar a experiência do cliente.
O fim das réguas genéricas de cobrança
Laura enfatizou a necessidade de abandonar modelos genéricos, diferenciando clientes que não podem pagar daqueles que não querem pagar. A Neofin segmenta cada devedor por comportamento e perfil de risco, definindo automaticamente o canal ideal de comunicação, frequência de contato, melhor momento para abordagem, tom de voz e estratégia de negociação. Essa personalização aumenta as taxas de recuperação sem prejudicar o relacionamento.
Um ecossistema completo para contas a receber
A Neofin apresentou a Agentic AR Solution, uma plataforma que integra toda a operação de recebíveis: dashboards com indicadores em tempo real, CRM de cobrança, fluxos inteligentes de comunicação, WhatsApp integrado, integrações com ERPs e bancos, recomendações baseadas em IA e monitoramento contínuo da carteira. O objetivo é criar um ciclo financeiro virtuoso onde dados, automação e inteligência trabalham juntos para melhorar a liquidez operacional.
Resultados apresentados no Web Summit Rio 2026
Um case de uma distribuidora de alimentos mostrou resultados impressionantes: mais de R$ 1 milhão recuperado em até 30 dias após o vencimento, economia superior a 70 horas mensais da equipe financeira, zero horas operacionais manuais, recuperação de faturas 50% mais eficiente, cobranças realizadas 7 vezes mais rápido e ROI estimado de 1.874%. Em segmentos como serviços, distribuição e instituições de ensino, o ROI superou 1.800%. Os dados comprovam que a cobrança inteligente gera impacto financeiro mensurável.
O futuro das cobranças já começou
A participação da Neofin no Web Summit Rio 2026 deixou claro que a cobrança está se tornando uma função estratégica. Em um cenário de alta inadimplência e pressão sobre o caixa, depender de planilhas e processos manuais é arriscado. A combinação de IA, automação e análise de dados permite cobranças mais inteligentes, personalizadas e eficientes, gerando previsibilidade e fortalecendo o fluxo de caixa. Como Laura concluiu: “Quem não cobra, não recebe.”



