Cientistas japoneses recriam ciclo completo de crescimento capilar em camundongos
Ciclo completo de crescimento capilar recriado em camundongos

Uma equipe liderada pelo professor Takashi Tsuji afirma ter conseguido recriar, em camundongos, o ciclo completo de crescimento do cabelo. O estudo, descrito como um grande avanço, conseguiu fazer com que os fios crescessem, caíssem e voltassem a crescer naturalmente, algo que ainda não havia sido alcançado em laboratório.

O impacto emocional da perda capilar

Para muitas pessoas, perder o cabelo vai além da estética. A jornalista Victoria Derbyshire, que passou por quimioterapia para tratar câncer de mama, relata que a perda dos fios foi mais difícil do que a mastectomia. “Sem o meu cabelo, eu sentia que deixava de ser eu mesma”, afirma. O cabelo está fortemente ligado à identidade, à autoestima e à forma como somos percebidos socialmente.

Historicamente, o cabelo sempre teve um papel simbólico. No Egito Antigo, perucas indicavam poder; na Idade Média, cabelos longos eram sinal de feminilidade; e no século 17, perucas volumosas representavam riqueza. Raspar a cabeça à força, como ocorreu nos campos de concentração nazistas, foi usado como forma de humilhação e desumanização.

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A pesquisa de Tsuji

O professor Takashi Tsuji e sua equipe identificaram um novo tipo de célula, chamada célula de suporte regenerativo do folículo capilar. Essa célula auxilia no desenvolvimento, crescimento e regeneração dos folículos, permitindo que o ciclo completo ocorra em laboratório. Até então, os cientistas só conseguiam produzir folículos parciais.

O estudo foi realizado em camundongos, principalmente com células dos bigodes dos animais. Os folículos criados conseguiram passar por múltiplos ciclos de crescimento, queda e regeneração, de forma semelhante ao cabelo natural. Apesar do otimismo, a aplicação em humanos ainda é um desafio, pois o crescimento capilar humano é mais complexo.

Por que a ciência ainda enfrenta dificuldades

A professora Claire Higgins, do Imperial College London, explica que a pesquisa sobre queda de cabelo sempre foi mais focada em homens. “Homens e mulheres muitas vezes são tratados da mesma forma, mas eu não acho que deva ser assim”, afirma. Estudos genéticos sobre calvície feminina mostraram que as causas podem ser diferentes das masculinas, mas ainda há muito a descobrir.

Muitas mulheres que perdem o cabelo durante o tratamento contra o câncer relatam que a preocupação com a queda é frequentemente tratada como superficial. “Não é uma questão de vaidade, é a sua identidade”, diz a cabeleireira Nicky Elkington. Raspar o cabelo antes que ele caia pode ajudar a recuperar a sensação de controle.

O futuro dos tratamentos

Tsuji acredita que o avanço pode mudar o tratamento da alopecia e de outros tipos de calvície. “Acreditamos que agora estamos muito mais perto do que antes”, afirma. Embora ainda haja um longo caminho até que a técnica seja testada em humanos, a descoberta representa uma esperança para milhões de pessoas que sofrem com a queda de cabelo.

Para Victoria Derbyshire, a peruca foi uma ferramenta importante para manter a rotina e a identidade durante o tratamento. “Cabelo nunca é apenas cabelo. Ele representa identidade, privacidade, sensação de controle e autoconfiança”, conclui.

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