Filho do ex-prefeito foragido de Choró é solto com tornozeleira eletrônica
Filho de ex-prefeito foragido de Choró é solto com tornozeleira

Filho de ex-prefeito foragido é preso e liberado com tornozeleira

Daniel Silva Queiroz, filho do ex-prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz, foi preso suspeito de lavagem de dinheiro e solto nesta quinta-feira (25) após audiência de custódia. A Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. Bebeto está foragido desde dezembro de 2024.

Prisão durante operação do MPE e PF

A prisão de Daniel ocorreu na quarta-feira (24), durante uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e pela Polícia Federal (PF). A ação integra a investigação criminal conjunta contra Bebeto. Foram apreendidos documentos que serão analisados pelos dois órgãos.

Suspeita de ocultação de veículo com documentos falsos

Daniel foi preso por, supostamente, ocultar a propriedade de um carro usando documentos falsos. O veículo estava registrado no nome do avô de Daniel, mas era mantido sob posse, uso e disponibilidade dele, inclusive na vaga de garagem do prédio referente a Daniel. Os investigadores encontraram também uma declaração de residência afirmando que o avô de Daniel morava no prédio, mas o síndico do imóvel disse que o homem não consta na lista de moradores da unidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Medidas cautelares impostas pela Justiça

A Justiça decidiu restituir a liberdade de Daniel com as seguintes medidas cautelares: apresentação mensal à Justiça; permanecer em casa das 22h às 6h; uso de tornozeleira eletrônica; proibição de sair do país e entrega do passaporte à Justiça. Além disso, Daniel fica obrigado a: não passar mais que oito dias fora de Fortaleza sem informar o local onde poderá ser encontrado; comunicar eventual mudança de endereço; comparecer a todos os atos processuais para os quais for intimado.

Bebeto Queiroz: foragido há mais de um ano

Eleito prefeito de Choró nas eleições municipais de 2024, Bebeto não chegou a tomar posse. Ele foi preso em novembro de 2024 por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes envolvendo contratos de abastecimentos de veículos da prefeitura. O político chegou a ser solto no início de dezembro de 2024, após expirar o prazo da prisão temporária. Porém, poucos dias depois, a Justiça expediu um novo mandado de prisão contra ele, por outros crimes. Desde então, as autoridades não sabem o paradeiro de Bebeto Queiroz. Em março deste ano, a defesa de Bebeto Queiroz disse que somente iria se manifestar nos autos dos processos. Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral cassou a chapa liderada por Bebeto que venceu as eleições de Choró. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) manteve a cassação, em agosto do ano passado. Uma nova eleição foi realizada no Município, no último dia 1º de março.

Fraudes a licitações e esquema de emendas parlamentares

Um relatório da Polícia Federal, de janeiro de 2026, revelou um suposto esquema de negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações de prefeituras e financiamentos ilegais de campanhas eleitorais em diversos municípios do Ceará. O grupo criminoso seria liderado por Bebeto e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB). Por meio de nota, na época, a assessoria jurídica do deputado Júnior Mano disse que a investigação da Polícia Federal "nada encontrou de relevante contra o deputado" e lamentou o "vazamento seletivo de informações sigilosas justamente num momento em que os partidos começam a definir as candidaturas para as eleições deste ano".

Funcionamento do esquema

De acordo com a Polícia Federal, o deputado Júnior Mano e o ex-prefeito Bebeto operavam o esquema de distribuição de emendas parlamentares com cobrança de retorno financeiro. A PF indica que a estrutura montada por Bebeto já existia antes da entrada de Júnior Mano. Com sua chegada, porém, o deputado passou a contribuir com recursos que ampliaram o alcance do esquema. “A partir da influência de Junior Mano na captação de emendas, o grupo de Bebeto direcionava os recursos para determinados municípios estratégicos, onde a alocação financeira serviria de base para a cooptação política de prefeitos e a posterior manipulação dos processos de contratação pública”, diz o relatório da PF, ao qual o g1 teve acesso.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

O esquema se retroalimentava: mais tarde, uma vez que os candidatos apoiados pelo grupo fossem eleitos, as empresas do esquema conseguiam contratos com as prefeituras dos aliados eleitos. O grupo ficava com parte do dinheiro das emendas, valor que variava entre 12 e 15% do recurso. Além disso, o caixa das empresas envolvidas era utilizado para movimentações financeiras expressivas, com o envio de milhares de reais tanto por transações via Pix quanto no saque de dinheiro vivo. O relatório cita pelo menos dez empresas suspeitas de envolvimento no esquema. De acordo com análise de 2025 da Controladoria-Geral da União (CGU), nove dessas empresas envolvidas no esquema receberam de prefeituras cearenses cerca R$ 455,5 milhões entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. Os investigadores encontraram uma lista com pelo menos 71 prefeituras do Ceará que estariam vinculadas ao deputado federal Júnior Mano. Destas, os candidatos apoiados pelo grupo teriam sido eleitos em aproximadamente 50 cidades. Não está claro se eles receberam dinheiro do esquema.