Pesquisa revela que 66% dos brasileiros usam IA em compras digitais
66% dos brasileiros usam IA em compras digitais

Uma pesquisa inédita realizada pelo Grupo Stefanini revela que a maioria dos brasileiros já incorpora a inteligência artificial (IA) em diferentes fases de sua jornada de consumo. De acordo com o levantamento, sete em cada dez consumidores, o que representa 66% dos entrevistados, consultam diversas plataformas antes de efetuar uma compra. Além disso, mais da metade utiliza a IA de alguma forma, seja para pesquisar, comparar ou decidir o que adquirir.

Brasil se destaca no uso global de IA

O Brasil já figura entre os maiores mercados globais no uso de plataformas de large language models (LLM), como Chat GPT e Gemini. Nove em cada dez brasileiros conectados já experimentaram ou utilizam alguma ferramenta de IA para diferentes finalidades. Segundo a SimilarWeb, o país é o terceiro maior mercado global em termos totais, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. No entanto, o Brasil é vice-campeão em volume de usuários das plataformas mais populares, perdendo apenas para os EUA.

Ferramentas mais utilizadas

A pesquisa da Stefanini aponta o Chat GPT, da Open AI, como a ferramenta mais popular: 82% já o utilizaram e 67% ainda o usam. Em seguida, aparecem o Gemini, do Google, com 80% de uso anterior e 60% atual; Meta AI, presente no WhatsApp, com 48% e 26%; Copilot, da Microsoft, com 37% e 18%; e Perplexity, com 15% e 7%. Em média, o brasileiro familiarizado com a IA utiliza ao menos duas dessas ferramentas.

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Praticidade como principal motivo

A principal razão para recorrer à IA sobre um produto ou serviço é a praticidade. Para 97% dos entrevistados, a ferramenta compara melhor do que uma pesquisa manual, enquanto 96% afirmam que a IA explica de forma clara os prós e contras do que procuram. Além disso, 97% dizem que a tecnologia ajuda a economizar tempo. Quando questionados sobre o sentimento predominante em relação ao uso da IA como suporte nas compras, 46% citaram “praticidade” e 30%, “confiança”. O “entusiasmo” foi mencionado por 12%.

Ressalvas e desconfiança

Apesar da alta adesão, os consumidores ainda têm ressalvas. O estudo indica que 68% confirmam as recomendações da IA em outras fontes, e 55% já desistiram de finalizar uma compra por desconfiar da tecnologia. Guilherme Stefanini, chief marketing officer global do grupo e sócio da Gauge e W3haus, afirma que a barreira do ceticismo será superada mais rapidamente do que com tecnologias anteriores, à medida que erros e riscos de golpes e fraudes diminuírem. “Os humanos serão fundamentais para a consolidação da confiança”, destaca.

Evolução esperada: agentic commerce

Melhorias técnicas devem acelerar o desenvolvimento do agentic commerce, ou comércio generativo. A principal evolução esperada é a capacidade das máquinas de diferenciar publicações pagas e orgânicas sobre produtos e serviços, bonificando mais as últimas. A personalização da IA já é um atributo que melhorou a experiência do usuário. “Outro diferencial é o olhar ampliado para a dor do consumidor, trazendo alternativas que ele sequer considerava”, complementa Stefanini. No entanto, a IA ainda é limitada em segmentos que exigem experimentação, como moda e decoração, e na transação final.

O papel humano

A personalização da jornada é cada vez mais compreendida pelo consumidor: 87% afirmam que, ao recorrer à IA para compras, costumam fornecer detalhes e contexto sobre o que buscam. Marcas que fazem melhor indexação, inserindo muitas informações sobre seus produtos, ganham até 20 pontos percentuais a mais nas recomendações. “Acompanhar movimentos culturais e sociais, com escuta ativa ao consumidor, é fundamental”, aponta Stefanini.

Perspectivas futuras

Com o desenvolvimento do agentic commerce, espera-se que o setor movimente US$ 5 trilhões globalmente até 2030, segundo a McKinsey & Company. A integração entre marketing, tecnologia e dados é vista como essencial para atender os consumidores em suas individualidades.

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