O Brasil corre o risco de se tornar uma ilha no desenvolvimento da inteligência artificial (IA) se não se integrar ao cenário global. A afirmação é de especialistas que apontam a necessidade de investimentos em infraestrutura, pesquisa e regulação para que o país não fique para trás na corrida tecnológica.
O cenário global da IA
Enquanto países como Estados Unidos, China e membros da União Europeia avançam rapidamente no desenvolvimento e na aplicação da IA, o Brasil ainda engatinha. Dados do Fórum Econômico Mundial mostram que o país ocupa a 40ª posição no Índice de Preparação para a IA, atrás de nações como Chile e Uruguai na América Latina.
Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP), João Moreira, "o Brasil tem potencial, mas falta uma estratégia nacional clara que articule governo, academia e setor privado". Ele ressalta que a IA pode impulsionar setores como saúde, agricultura e finanças, mas isso exige investimento em computação de alto desempenho e formação de talentos.
Desafios brasileiros
Um dos principais gargalos é a infraestrutura de dados. O Brasil ainda carece de centros de dados robustos e de uma política de dados abertos que estimule a inovação. Além disso, a regulação da IA no país é incipiente. O projeto de lei 2338/2023, que tramita no Congresso, tenta estabelecer regras para o uso da tecnologia, mas enfrenta resistência de setores que temem excesso de burocracia.
"Precisamos de uma regulação que proteja direitos sem sufocar a inovação", afirma a advogada especialista em direito digital, Maria Silva. Ela cita o exemplo da União Europeia, que aprovou o AI Act, um marco regulatório que equilibra segurança e desenvolvimento.
Oportunidades e riscos
Apesar dos desafios, o Brasil tem vantagens comparativas. O país possui uma matriz energética limpa, o que é atrativo para a instalação de data centers, e um mercado consumidor grande. No entanto, a falta de investimento pode levar à dependência tecnológica. "Se não agirmos agora, seremos consumidores de tecnologia alheia, sem capacidade de competir", alerta Moreira.
O governo federal anunciou recentemente a criação de um comitê de IA, mas ainda não detalhou investimentos. Especialistas defendem que o Brasil destine ao menos 1% do PIB para pesquisa em IA nos próximos cinco anos.
Conclusão
O Brasil não pode se dar ao luxo de ser uma ilha no desenvolvimento da IA. A integração ao cenário global é vital para o crescimento econômico e a soberania tecnológica. Como diz o ditado, "a maré sobe para todos os barcos", mas é preciso remar.



