Cientistas desenvolveram um modelo dinâmico para otimizar o investimento de US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, na restauração e preservação da biodiversidade florestal global. O estudo, publicado na revista Nature em 2022, aborda o desafio de alocar recursos limitados entre 458 ecossistemas florestais ao redor do mundo para maximizar a preservação de espécies.
Contexto da devastação florestal
O ser humano já alterou 70% da superfície terrestre. Desde o início da agricultura, há aproximadamente 15 mil anos, um terço de todas as florestas foi destruído. Metade dessa destruição ocorreu depois de 1900, e desde 1990 foram derrubados 420 milhões de hectares de florestas. Hoje, somente 15% da superfície dos continentes está em reservas, e a maioria dessas áreas não foi escolhida para garantir o máximo de preservação da biodiversidade, mas geralmente está em regiões de menor interesse econômico.
Metas de preservação
Os cientistas estimam que é necessário preservar entre 17% e 40% da superfície para evitar o colapso de sistemas vivos. Na hipótese mais otimista, seria necessário zerar o desmatamento e restaurar 2% da superfície do planeta para garantir a sustentabilidade.
Metodologia do modelo
Para cada um dos 458 ecossistemas, os pesquisadores levantaram dados de riqueza da biodiversidade, fração já desmatada, custo de reflorestamento por hectare e quantidade de áreas já protegidas. Consideraram como ponto inicial o estado de 2018 e como ponto final o que existia no ano 2000. Um fator de risco foi atribuído com base na taxa de desmatamento anual entre 2000 e 2018. O modelo dinâmico otimiza o processo de restauro para preservar o maior número de espécies ao fim de 50 anos, produzindo uma lista de áreas prioritárias a cada ano.
Resultados e prioridades
O modelo mostra que US$ 1 bilhão por ano durante 50 anos pode evitar a extinção de 23.680 espécies de árvores em 127 dos 458 ecossistemas florestais. Isso pode ser obtido investindo primeiro nas florestas da Melanésia, sul e sudeste da Ásia, península da Anatólia, norte da América do Sul e América Central. Um dos resultados é que investir em florestas de países desenvolvidos, como Japão, América do Norte e Europa, não vale a pena devido ao alto custo de reflorestamento; o dinheiro gera mais espécies preservadas se investido em outras regiões.
Limitações e aplicações
O estudo reconhece que se trata de um modelo teórico, que não considera dificuldades políticas entre países e dentro de cada país. Ele assume que todos os países participam e permitem o reflorestamento das áreas prioritárias, o que está longe da realidade. No entanto, é um dos primeiros modelos a mostrar o que é possível fazer em termos de restauração florestal em um prazo determinado com orçamento realista. Esse tipo de modelagem pode ser usado para priorizar o restauro em um único país, como o Brasil.



