Cientistas que estudam lobos no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, descobriram que a infecção pelo parasita Toxoplasma gondii altera o comportamento dos animais, tornando-os mais propensos a assumir a liderança das alcateias e a migrar para novos territórios. O estudo, conduzido ao longo de 26 anos, analisou toda a população de lobos do parque, composta por cerca de 120 animais divididos em 10 a 12 alcateias.
Parasita que altera o medo
O Toxoplasma gondii é conhecido por modificar o comportamento de hospedeiros intermediários, como ratos e hienas, reduzindo o medo de predadores. Em ratos, a infecção os torna sexualmente atraídos por gatos, facilitando a transmissão do parasita ao felino, seu hospedeiro definitivo. Em hienas nas estepes africanas, o parasita diminui o medo de leões, aumentando o risco de predação.
No caso dos lobos de Yellowstone, a situação é diferente. Embora o parasita também reduza o medo e aumente a ousadia, lobos não têm predadores naturais no parque. Os cougars (Puma concolor), que também são hospedeiros do parasita, competem com os lobos por presas, mas não os predam. Assim, a maior propensão ao risco não leva à morte, mas sim a vantagens sociais.
Lobos infectados tornam-se líderes
Os pesquisadores compararam dados comportamentais, de localização por GPS e exames sanguíneos de lobos infectados e não infectados. Os resultados mostraram que os infectados têm maior probabilidade de se separar do grupo e migrar para novas áreas, formando novas alcateias. Além disso, eles assumem posições de liderança com mais frequência, influenciando decisões de deslocamento e, no caso dos machos, tendo maior acesso às fêmeas.
"Os lobos infectados pelo parasita se tornam líderes e pioneiros", afirmam os cientistas. Essa é uma das raras situações em que um parasita confere uma vantagem ao hospedeiro por meio de alteração comportamental.
Implicações para humanos
O Toxoplasma gondii também infecta seres humanos, mas ainda não se sabe se afeta nosso comportamento. Os autores do estudo especulam se líderes e empreendedores de sucesso poderiam ser infectados, e se, no futuro, pessoas ambiciosas poderiam tentar se infectar deliberadamente para aumentar sua coragem. A pesquisa foi publicada na revista Communications Biology.



