Motivação para exercícios pode estar ligada ao microbioma intestinal
Motivação para exercícios ligada ao microbioma

Um estudo publicado por cientistas demonstrou que a motivação para praticar exercícios físicos pode ser controlada pelo microbioma intestinal. Em experimentos com camundongos, a equipe identificou que bactérias intestinais produzem uma molécula chamada FAA (fatty acid amide), que atua no cérebro aumentando a disposição para correr. A descoberta pode, no futuro, levar a tratamentos contra o sedentarismo em humanos.

Experimentos em camundongos revelam diferenças na flora intestinal

Os pesquisadores colocaram uma centena de camundongos em gaiolas equipadas com rodas de corrida voluntária. Observaram que alguns animais não se exercitavam, outros corriam alguns quilômetros, e alguns chegavam a correr até 30 km por dia. Ao comparar os extremos — os mais preguiçosos e os mais ativos —, examinaram diversos fatores metabólicos e genéticos. Para surpresa da equipe, a principal diferença estava na flora intestinal.

Microbioma determina comportamento ativo ou sedentário

Para testar se a flora intestinal causava a diferença, os cientistas trataram os camundongos com antibióticos que eliminam grande parte do microbioma. Os animais que eram atletas tornaram-se preguiçosos após o tratamento, enquanto os preguiçosos permaneceram inativos. Em seguida, transplantaram bactérias de camundongos atletas para o intestino dos sedentários: estes passaram a correr tanto quanto os doadores. Camundongos criados em ambientes estéreis, sem microbioma, eram preguiçosos, mas tornaram-se atletas após receberem bactérias de doadores ativos. "Esses resultados demonstram que é o microbioma que determina se o camundongo é atleta ou preguiçoso", afirmam os autores.

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Molécula FAA é a responsável pelo efeito

Após identificar a molécula-chave, os pesquisadores descobriram que o FAA, produzido por bactérias intestinais, era suficiente para transformar camundongos sedentários em atletas. Bastava adicionar FAA à dieta dos animais preguiçosos para que eles começassem a correr voluntariamente.

Mecanismo cérebro-intestino via dopamina

O FAA atua ligando-se a receptores em terminações nervosas no intestino, estimulando neurônios que enviam sinais ao cérebro. Esse estímulo inibe a produção da enzima monoamina oxidase (MAO), que degrada a dopamina. Com menos MAO, os níveis de dopamina aumentam, elevando a motivação para o exercício. "É um caminho complexo, mas o que importa é entender que uma molécula produzida pelas bactérias presentes no intestino controla a vontade de se exercitar", explicam os cientistas.

Perspectivas para humanos

Os experimentos foram realizados apenas em camundongos, e os pesquisadores alertam que é necessário confirmar se o mesmo mecanismo existe em seres humanos. "Se isso for verdade, talvez no futuro possamos acabar com a preguiça modificando nosso microbioma ou ingerindo todos os dias uma cápsula de FAA", concluem. A descoberta abre novas possibilidades para combater o sedentarismo, um dos principais fatores de risco para doenças crônicas.

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