Imagem inédita revela possível estrela companheira de Betelgeuse
Imagem inédita revela possível companheira de Betelgeuse

Uma equipe de astrônomos obteve a imagem mais nítida já feita da provável estrela companheira de Betelgeuse, uma das estrelas mais famosas e brilhantes do céu noturno. O registro, considerado a evidência mais forte até agora de que a supergigante vermelha não está sozinha, foi divulgado em estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics nesta terça-feira (28).

Descoberta com o Very Large Telescope

A possível parceira, chamada Betelgeuse B, aparece como um pequeno ponto de luz muito próximo da estrela principal. A descoberta foi feita com o Very Large Telescope (VLT), instalado no deserto do Atacama, no Chile. “Trata-se da conclusão de uma busca que durou um século”, afirmou Miguel Montargès, astrônomo do Observatório de Paris e principal autor da pesquisa.

Características de Betelgeuse

Betelgeuse é uma supergigante vermelha localizada na constelação de Órion, a cerca de 640 anos-luz da Terra. Com apenas 10 milhões de anos – jovem para padrões cósmicos – ela já está em seus estágios finais de vida. Seu raio é 700 vezes maior que o do Sol, e seu brilho oscila em ciclos de cerca de 400 dias e em um padrão mais longo de aproximadamente seis anos.

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O Grande Escurecimento e a busca pela companheira

A hipótese de uma estrela companheira ganhou força após o chamado “Grande Escurecimento” de 2019 e 2020, quando Betelgeuse perdeu brilho de forma drástica e repentina. Na época, especulou-se que ela estaria prestes a explodir como supernova, mas o fenômeno foi atribuído à ejeção de uma nuvem de poeira.

Betelgeuse B é maior que o esperado

A nova descoberta mostra que Betelgeuse B é maior do que se imaginava. A estimativa inicial era de que tivesse massa parecida com a do Sol, mas os dados apontam que ela pode ser de duas a três vezes mais massiva. Em dezembro de 2024, quando a possível companheira estaria em posição favorável, a equipe apontou o telescópio para Betelgeuse. “Dei um salto da cadeira quando vi as imagens processadas”, contou Montargès.

Confirmação ainda pendente

Uma possível detecção já havia sido divulgada em 2025, após observações do telescópio Gemini North, no Havaí. O novo trabalho, porém, apresenta uma imagem mais clara e é considerado a prova mais forte obtida até agora. “Já não há praticamente margem para dúvidas”, disse Montargès. Os astrônomos planejam novas observações dentro de cerca de um ano, quando a companheira deverá aparecer do outro lado de Betelgeuse.

Futuro trágico da companheira

Apesar de estar em órbita, a companheira não deve sobreviver por muito tempo em termos astronômicos. Segundo os cálculos da equipe, a interação entre as duas estrelas fará com que a companheira espiralize para dentro de Betelgeuse, sendo engolida em cerca de 10 mil anos. A melhor chance de observá-la novamente será em novembro de 2027, quando atingirá o ponto mais distante de sua órbita, tornando-se mais visível.

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