Durante mais de dois séculos, três importantes líderes negras brasileiras foram representadas pela imagem de uma mulher preta desconhecida, apagando suas identidades. Agora, com o uso de inteligência artificial, pesquisadoras conseguiram resgatar os rostos de Tereza de Benguela, Maria Felipa e Luiza Mahin, devolvendo a essas figuras históricas sua individualidade.
Projeto Faces Negras Importam
O trabalho faz parte do projeto "Faces Negras Importam", financiado pelo Banco do Brasil, que reconheceu seu papel histórico no comércio de escravizados. A iniciativa visa reparar injustiças históricas e dar visibilidade a mulheres negras que tiveram suas trajetórias silenciadas.
As imagens foram projetadas por pesquisadoras que analisaram documentos históricos e utilizaram ferramentas de IA para reconstruir as fisionomias com base em descrições e registros da época. O resultado foi divulgado com fotos que mostram Maria Felipa (de colar) e Luiza Mahin (de turbante).
Quem foram essas heroínas
Tereza de Benguela foi líder do Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, no século XVIII. Maria Felipa liderou a resistência contra os portugueses na Ilha de Itaparica, na Bahia, durante a Independência. Luiza Mahin foi uma africana liberta que participou da Revolta dos Malês e foi mãe do abolicionista Luiz Gama.
Apesar de sua importância, essas mulheres foram frequentemente retratadas com uma imagem genérica de uma mulher negra, sem traços específicos, o que contribuiu para o apagamento de suas identidades.
Reparação histórica
O projeto "Faces Negras Importam" não apenas reconstituiu os rostos, mas também busca promover uma reflexão sobre a invisibilidade de personalidades negras na história oficial. O Banco do Brasil, ao financiar a pesquisa, reconheceu seu envolvimento no tráfico de escravizados e a necessidade de ações reparatórias.
"É um passo importante para devolver a identidade a essas mulheres que foram apagadas da história", afirmou uma das pesquisadoras envolvidas. "A inteligência artificial nos permitiu reconstruir detalhes que estavam perdidos, mas o trabalho de pesquisa histórica foi fundamental."



