O Brasil alcançou a marca histórica de 55 GW de potência instalada em energia solar, consolidando-se como a segunda maior fonte da matriz elétrica nacional. O montante representa 22,2% de toda a capacidade de geração do país, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).
Geração própria domina o setor
Dentro desse total, a geração distribuída — sistemas instalados em telhados, fachadas e pequenos terrenos — responde por 37,6 GW, o equivalente a 68,4% da potência solar. A maior parte dos sistemas está em residências, que somam 18,5 GW, seguidas por comércios e serviços (10,2 GW), indústrias (5,8 GW) e propriedades rurais (3,1 GW).
O crescimento acelerado é impulsionado pela queda dos custos dos equipamentos e pelo aumento das tarifas de energia elétrica. “A energia solar se tornou uma alternativa viável e econômica para milhões de brasileiros, gerando economia na conta de luz e contribuindo para a sustentabilidade”, afirma Rodrigo Sauaia, presidente-executivo da ABSOLAR.
Investimentos e desafios
Desde 2012, o setor solar acumula investimentos superiores a R$ 200 bilhões, considerando equipamentos, instalação e operação. A expansão gerou mais de 1,2 milhão de empregos acumulados e evitou a emissão de cerca de 50 milhões de toneladas de CO₂.
No entanto, o avanço rápido também impõe desafios. A integração de grande volume de geração intermitente à rede elétrica exige investimentos em infraestrutura, como linhas de transmissão e sistemas de armazenamento. Além disso, o marco legal da geração distribuída, aprovado em 2022, prevê a cobrança gradual de tarifas pelo uso da rede, o que pode reduzir a atratividade econômica para novos projetos.
Perspectivas para o futuro
A ABSOLAR projeta que a potência solar instalada no Brasil pode ultrapassar 100 GW até 2030, impulsionada por leilões de energia e pelo crescimento do mercado livre de eletricidade. O país já é um dos líderes mundiais em energia solar, atrás apenas de China, Estados Unidos e Alemanha.
Com a meta de descarbonização e a competitividade crescente da fonte, a energia solar deve continuar expandindo sua participação na matriz brasileira, consolidando-se como pilar da transição energética nacional.



