A Universidade Federal de Rondônia (Unir) lançou a plataforma DicWeb Indígena, uma ferramenta inovadora que permite que povos indígenas da Amazônia criem seus próprios dicionários digitais de forma colaborativa. Diferente dos dicionários tradicionais, os próprios indígenas produzem e organizam o conteúdo, registrando palavras, áudios, traduções e exemplos de uso cotidiano. Atualmente, a plataforma já reúne mais de 4.500 palavras catalogadas e 12 dicionários em construção.
Ferramenta colaborativa registra mais de 4.500 palavras
O DicWeb Indígena foi desenvolvido para dar autonomia às comunidades na documentação de suas línguas. O coordenador do projeto, Quesler Fagundes Camargos, destaca: "A plataforma amplia o acesso aos conhecimentos linguísticos produzidos pelas comunidades indígenas e contribui para a preservação e o fortalecimento das línguas da Amazônia." Entre os primeiros registros está a palavra Tapi'ira, que significa anta na língua Kawahiwa-Amondawa, exemplificando a diversidade linguística preservada.
Tecnologia que funciona até sem internet
Um dos principais desafios para o uso de ferramentas digitais nas aldeias é a falta de acesso à internet. Para superar essa barreira, o DicWeb Indígena foi desenvolvido como um Aplicativo Web Progressivo (PWA). Após o primeiro acesso com internet, a plataforma pode ser instalada no celular ou computador e continua funcionando mesmo offline. Assim, professores, estudantes e pesquisadores podem consultar e registrar informações sem depender de conexão.
Uso educacional e fortalecimento linguístico
Além de preservar as línguas, a plataforma será usada nas escolas das comunidades como ferramenta de ensino. A vice-coordenadora do projeto, professora Edineia Aparecida Isidoro, afirma: "É muito mais do que um instrumento de documentação e sistematização do léxico. Ela é também um espaço potente de formação linguística e pedagógica para professores e pesquisadores indígenas, uma ferramenta estimulante para que estudantes aprendam a escrever e valorizar suas próprias línguas e, sobretudo, uma forma de inserir as línguas indígenas em um território no qual elas ainda precisam ocupar cada vez mais espaço: os meios digitais."
Autonomia e preservação cultural
A proposta nasceu após anos de pesquisa na universidade e busca inverter a lógica tradicional da produção de dicionários. Em vez de pesquisadores registrarem as línguas, os próprios povos indígenas produzem e atualizam o conteúdo, fortalecendo a autonomia das comunidades e preservando conhecimentos transmitidos de geração em geração. A iniciativa contribui para a manutenção de tradições linguísticas que correm o risco de desaparecer na região amazônica.



