David Hockney, um dos mais influentes pintores do século XX, morreu aos 88 anos. A notícia foi confirmada por sua família nesta sexta-feira. Hockney deixa um legado de obras vibrantes que celebraram a vida, a natureza e a liberdade sexual, sempre com um otimismo inabalável.
A cor como forma de discordar
Para Hockney, a cor não era apenas um elemento estético, mas uma ferramenta de resistência. "Não uso cores para descrever o mundo, mas para discordar dele", afirmou o artista em uma entrevista de 2016. Suas piscinas californianas, retratos de amigos e paisagens do Yorkshire são marcadas por tons intensos e composições ousadas.
Nascido em Bradford, Inglaterra, em 1937, Hockney se mudou para a Califórnia nos anos 1960, onde encontrou a luz e a liberdade que moldaram sua arte. Ele se tornou um ícone da cultura pop e da comunidade LGBTQ+, retratando a vida gay com naturalidade e alegria em uma época de forte preconceito.
Alegria como resistência
Em seus últimos anos, Hockney continuou produzindo incansavelmente, mesmo com a perda auditiva e a idade avançada. Durante a pandemia, ele criou uma série de obras sobre a primavera, com a frase "não podem cancelar a primavera" como lema. "A arte tem o poder de nos lembrar que a beleza e a alegria persistem, mesmo nos momentos mais sombrios", escreveu ele em seu site.
Seu trabalho influenciou gerações de artistas e admiradores. O crítico de arte John Berger disse certa vez: "Hockney nos ensina a ver o mundo com novos olhos, a encontrar cor onde só vemos cinza".
Legado e impacto
David Hockney deixa uma obra que abrange pintura, fotografia, desenho e cenografia. Suas exposições bateram recordes de público, e suas telas alcançam milhões de dólares em leilões. Mas seu maior legado, segundo amigos, é a crença na alegria como forma de resistência.
"Ele acreditava que a criatividade não tem idade nem limites", disse seu assistente pessoal, Mark Smith. "Até o fim, ele estava desenhando todos os dias, encontrando beleza no ordinário."



