Adamantisaurus: dinossauro de 15 m que viveu no Oeste Paulista
Adamantisaurus: dinossauro de 15 m do Oeste Paulista

O solo do Oeste Paulista guarda pegadas e ossos de criaturas gigantescas que habitaram a Terra há mais de 80 milhões de anos. Entre os exemplares mais emblemáticos já encontrados na região está o Adamantisaurus mezzalirai, um herbívoro de 15 metros de comprimento que ganhou nome inspirado na cidade de Adamantina (SP) e na formação geológica local.

Em julho, o Museu e Arquivo Histórico “Setsu Onishi”, em Adamantina, promoveu oficinas e exposições para resgatar a saga dessa descoberta durante as férias escolares. A programação reuniu famílias e estudantes em torno dos fósseis resgatados na década de 1950, em Flórida Paulista (SP), por operários que trabalhavam na expansão da malha ferroviária.

Apesar do resgate ter ocorrido nos anos 1950, a descrição científica oficial da espécie só foi publicada em 2006. O estudo é de autoria dos paleontólogos Rodrigo Santucci e Reinaldo Bertini, do Instituto de Geociências da Unesp de Rio Claro.

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O gigante herbívoro de 15 metros

De acordo com Reinaldo Bertini, o Adamantisaurus mezzalirai pertencia ao grupo dos saurópodes, dinossauros quadrúpedes conhecidos pelo pescoço longo e pelo corpo pesado. O animal tinha cerca de 15 metros de comprimento, 6 metros de altura e membros em formato de coluna, semelhantes aos dos elefantes, além de cabeça pequena e cauda bem alongada.

Na época da descoberta, foram recolhidas seis vértebras do dinossauro, hoje expostas no Museu da Água Branca, na capital paulista. Já outras peças de diferentes espécies estão espalhadas pela região de Presidente Prudente: há materiais em uma escola estadual de Lucélia, na Faculdade de Adamantina e no Museu de Paleontologia “Professor Pepe”, na Unesp de Prudente.

A origem do nome e o resgate na ferrovia

“Adamantisaurus” remete à Formação Adamantina, unidade geológica do Oeste Paulista, enquanto “mezzalirai” homenageia Sérgio Mezzalira, pesquisador do Instituto Geológico que salvou as peças durante as obras da ferrovia. A dupla homenagem eterniza tanto o território onde os fósseis foram achados quanto o responsável por preservá-los.

O resgate do dinossauro e a exposição do acervo regional em Adamantina tiveram a mediação do professor aposentado de Física Paulo Fiorato. Autodidata na área, ele dedicou meses à catalogação de acervos na região e enxerga nos dinossauros uma porta de entrada para o conhecimento. “Na história dos dinossauros dá para trabalhar biologia, química, física, evolução das espécies e a Pangeia. É um tema multidisciplinar que gera brilho nos olhos dos alunos e traz motivação real para a sala de aula”, avalia.

Para Fiorato, o fascínio pré-histórico funciona como uma ponte entre diferentes áreas do saber escolar, e a programação de julho em Adamantina aproveitou exatamente esse potencial para atrair o público durante o recesso.

Onde ver os fósseis na região

Os entusiastas que quiserem ver fósseis de perto encontram no Oeste Paulista importantes acervos. Além da Faculdade de Adamantina e das escolas de Lucélia, o Museu de Paleontologia “Professor Pepe”, na Unesp de Presidente Prudente, reúne centenas de relíquias resgatadas em escavações locais, como explica o geólogo Antonio Agostinho Magioli Barros.

Inaugurado em julho de 2024, o museu nasceu a partir dos fósseis da cintura pélvica de um dinossauro escavado no fim de 2023 pela equipe do museu em parceria com a Unesp de Rio Claro. O acervo conta também com cascos e membros preservados de cágados terrestres de 80 milhões de anos achados em Pirapozinho, batizados carinhosamente de Donatello, Rafael e Michelangelo.

“Os cascos foram encontrados em Pirapozinho; são alguns dos fósseis em melhor estado de preservação presentes no museu. Algumas delas ainda têm os membros preservados internamente. Elas eram mais semelhantes a cágados e tinham hábitos terrestres”, detalha Antonio.

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Ciência com pertencimento cultural

Para a equipe do museu, manter as peças no interior de São Paulo garante o pertencimento cultural da população e combate o chamado colonialismo científico. “Queremos despertar o sentimento de pertencimento em conjunto com a população, para que ela possa compreender como animais hoje extintos habitavam a mesma área há milhões de anos. Além disso, é um ato de resistência em relação ao colonialismo científico. Esta é uma pequena parcela do rico passado da região de Presidente Prudente que permanece em sua região de origem”, completa Antonio.

O Museu de Paleontologia “Professor Pepe” da Unesp de Prudente fica aberto ao público de terça a sexta-feira, das 9h às 11h e das 14h às 17h. O endereço é Núcleo Morumbi, na Avenida Dr. Cyro Bueno, 40, em Presidente Prudente (SP).