Lecar revela protótipo avançado de seu primeiro carro; testes começam em breve
Lecar revela protótipo avançado de seu primeiro carro

A Lecar divulgou, nesta sexta-feira (5), novas imagens de seu primeiro automóvel, revelando um protótipo em estágio avançado de desenvolvimento. As fotos mostram o veículo já com carroceria completa, conjunto óptico instalado, rodas definitivas e acabamento externo bastante próximo daquele que deverá chegar ao mercado.

Design e características do protótipo

O carro adota carroceria fastback, com queda acentuada do teto na traseira e visual que mistura elementos de hatch e cupê. A dianteira tem desenho limpo, sem grade convencional, enquanto os faróis estreitos reforçam a identidade visual do projeto.

As imagens foram registradas na Sander Factory, empresa especializada em prototipagem automotiva comandada por Yuri Sander. Segundo o fundador da Lecar, Flávio Figueiredo Assis, trata-se de uma das poucas empresas brasileiras capazes de executar esse tipo de trabalho. A futura produção do veículo está prevista para Betim (MG), cidade que concentra um dos principais polos automotivos do País.

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Processo de prototipagem inovador

“É uma empresa de protótipo pequena, mas de grande talento. É raríssimo esse tipo de serviço no Brasil”, afirmou Assis ao Jornal do Carro. Segundo o executivo, o veículo mostrado nas imagens não foi construído utilizando o tradicional clay automotivo, material amplamente empregado pelas grandes montadoras durante o desenvolvimento de novos produtos.

“Lembrando que mockup automotivo é feito de uma espécie de argila. Já o nosso não existe no Brasil. Contornamos com usinagem de isopor de alta densidade, protótipo funcional em fibra de vidro e peças e componentes em impressão 3D. Isso já é padrão da indústria”, explicou.

O fundador da Lecar também fez questão de ressaltar que a fibra de vidro utilizada nesta fase não fará parte do produto final. “Vale ressaltar que o carro não será em fibra de vidro. É apenas uma etapa do desenvolvimento”, afirmou.

Assis também rebate críticas frequentes ao uso do material durante a prototipagem. “O pessoal tem preconceito com fibra, mas olha a qualidade que conseguimos ainda na fibra. Esse processo evoluiu muito desde a Gurgel”, disse.

Próximos passos: testes dinâmicos

Apesar do avanço visual, o principal desafio da Lecar continua sendo transformar o protótipo em um veículo plenamente funcional. A boa notícia para quem acompanha o projeto é que essa etapa parece estar próxima. A Lecar divulgou, anteriormente, que o modelo utilizará motorização fornecida pela Horse, empresa criada a partir da divisão de motores da Renault e do grupo Geely. Agora, Assis revelou com exclusividade para o Jornal do Carro que os primeiros testes do veículo equipado com o conjunto mecânico têm grandes chances de acontecer já no próximo mês.

Caso o cronograma seja cumprido, será a primeira oportunidade para verificar na prática se o projeto consegue avançar da fase de prototipagem visual para a validação dinâmica, etapa fundamental no desenvolvimento de qualquer automóvel.

Nas imagens divulgadas, o carro aparece pintado em tom azul-claro metálico, com rodas escurecidas e superfícies já bastante próximas de um automóvel de produção. O protótipo sugere que o projeto entrou em uma fase mais avançada de validação visual e construtiva, embora ainda existam etapas importantes pela frente.

O executivo afirma que o desenvolvimento do modelo tem servido também para criar competências locais em engenharia automotiva. “Estamos criando todo o ambiente de desenvolvimento no Brasil. Não se faz um carro do zero por aqui desde a Gurgel”, declarou. O que não necessariamente é uma verdade absoluta, já que projetos de diversas montadoras surgiram exclusivamente para o mercado brasileiro, tendo seu desenvolvimento e produção feitas exclusivamente em solo nacional.

Mesmo com a evolução observada nas fotos, a Lecar ainda precisa concluir testes, validações, homologações e o processo de industrialização antes de iniciar a produção em série. Ainda assim, as novas imagens mostram que o projeto já ultrapassou a fase das renderizações e dos modelos virtuais e começa a se aproximar do momento mais aguardado por investidores e quem comprou o carro em período tão embrionário: a hora de mostrar que o carro também é capaz de rodar.

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