Redes sociais devastam atenção mais que saúde mental, alerta Haidt
Redes sociais: atenção devastada mais que saúde mental

Jonathan Haidt, autor do livro Geração Ansiosa, afirma que demorou para perceber o efeito mais nocivo das redes sociais e vídeos curtos: a precarização da atenção pode ser ainda pior que a da saúde mental. Em entrevista, ele destaca que a capacidade de concentração das pessoas está em queda livre, com impactos profundos no aprendizado, nas relações e na sociedade como um todo.

Incidente trágico simboliza a crise

Um episódio ocorrido em Limeira, interior de São Paulo, ilustra o problema: uma mulher foi lançada em um rope jump, mas sem cordas, enquanto gravava para as redes sociais. O acidente, que poderia ter sido fatal, mostra como a busca por atenção online pode superar a segurança pessoal. Segundo Haidt, esse tipo de comportamento é sintoma de uma geração que prioriza o engajamento digital em detrimento da vida real.

Dados alarmantes sobre a atenção

Pesquisas citadas por Haidt indicam que a atenção média dos indivíduos caiu drasticamente nas últimas duas décadas. Estudos mostram que o tempo de foco em uma única tarefa diminuiu de cerca de 12 segundos para aproximadamente 8 segundos, um declínio de 33%. Esse fenômeno é atribuído ao consumo excessivo de conteúdos curtos e notificações constantes, que fragmentam a concentração.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“A atenção é a base de tudo: aprendizado, empatia, criatividade. Sem ela, não conseguimos nos aprofundar em nada”, afirmou Haidt. Ele compara o impacto das redes sociais a uma “epidemia de distração”, que afeta especialmente crianças e adolescentes, mas também adultos.

Soluções propostas

Para reverter esse quadro, Haidt sugere práticas como a leitura de livros físicos, a redução do tempo de tela e a criação de ambientes sem dispositivos digitais em escolas e lares. Ele defende que a recuperação da atenção exige um esforço coletivo, incluindo políticas públicas que limitem o design viciante das plataformas.

“Precisamos resgatar a capacidade de nos concentrar. Isso passa por escolhas individuais, mas também por uma regulação mais rigorosa das big techs”, conclui o autor.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar