O ex-ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Octavio Galotti faleceu neste domingo (27) em Brasília, aos 105 anos. A informação foi confirmada pelo tribunal em nota oficial. Galotti presidiu a Corte entre 1975 e 1977, durante o regime militar, e foi responsável por decisões marcantes na área de direitos humanos.
Carreira no STF
Natural do Rio de Janeiro, Octavio Galotti foi nomeado ministro do STF em 1972, pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. Em 1975, assumiu a presidência do tribunal, sucedendo a Elói Rocha. Durante sua gestão, a Corte enfrentou tensões com o Executivo militar, mas manteve a independência em julgamentos como o habeas corpus de presos políticos.
Galotti também foi professor de direito constitucional e autor de obras jurídicas. Após deixar a presidência, continuou como ministro até 1982, quando se aposentou compulsoriamente ao completar 70 anos.
Legado e homenagens
O atual presidente do STF, Luís Roberto Barroso, lamentou a morte e destacou a contribuição de Galotti para a democracia. "Octavio Galotti foi um jurista notável que defendeu a Constituição em tempos difíceis. Seu legado permanece vivo nas decisões da Corte", afirmou.
Galotti deixa três filhos e netos. O velório será realizado na sede do STF, em Brasília, na segunda-feira (28), e o enterro será no Cemitério Campo da Esperança.
Impacto no Judiciário
A morte de Octavio Galotti marca o fim de uma era no Supremo. Ele era o último ex-presidente da Corte ainda vivo. Seu período à frente do STF foi marcado por decisões que equilibravam a ordem jurídica com a pressão política.
Em 2020, aos 99 anos, Galotti havia sido homenageado pelos 50 anos de carreira jurídica. Ele continuava a publicar artigos e a participar de eventos até o ano passado.



