Lula e Fachin não têm encontro a sós há mais de duas décadas
Lula e Fachin não têm encontro a sós há mais de 20 anos

O último encontro a sós entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin ocorreu há mais de duas décadas, de acordo com a coluna de Lauro Jardim, publicada no jornal O Globo. A informação foi revelada nesta quinta-feira e coloca em perspectiva a relação entre o chefe do Executivo e o magistrado — que já foi de proximidade, mas que passou por episódios de forte tensão institucional ao longo dos anos.

Uma relação que começou em outro contexto político

Segundo o blog, não houve, desde então, uma conversa privada, frente a frente, entre o petista e o ministro. Os dois se encontraram em eventos oficiais, cerimônias e solenidades públicas, mas sem a mesma intimidade que marcou os primeiros contatos. A coluna não detalhou o conteúdo daquele último diálogo reservado nem as razões exatas para o distanciamento, mas a trajetória pública dos dois ajuda a explicar.

Lula e Fachin se aproximaram em um período no qual o então presidente vivia seu auge político e o futuro ministro ainda era um professor e advogado respeitado no meio jurídico e acadêmico. Fachin, ao longo da carreira, construiu uma imagem de defensor dos direitos humanos e da Constituição, o que o levou ao STF em 2015, já no governo Dilma Rousseff.

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O papel de Fachin na Lava Jato e o desgaste com Lula

A relação entre os dois ganhou contornos delicados quando Fachin se tornou relator da Operação Lava Jato no STF. Em um dos episódios mais marcantes, o ministro foi responsável por decisões que impactaram diretamente a situação jurídica de Lula. Em 2021, Fachin anulou as condenações de Lula na Lava Jato, por entender que a Justiça Federal do Paraná não era competente para julgar os casos. A decisão devolveu a Lula os direitos políticos e abriu caminho para sua candidatura e vitória em 2022.

Apesar do desfecho favorável ao presidente, o período anterior foi marcado por tensões. Lula chegou a ser preso em 2018, e os advogados do petista sempre contestaram a atuação da força-tarefa e de magistrados envolvidos no processo. Fachin, mesmo como relator, enfrentou críticas de ambos os lados: setores políticos o acusavam de excessos, enquanto outros viam suas decisões como jurídicas e equilibradas.

O que o distanciamento revela hoje

O fato de Lula e Fachin não se reunirem em caráter privado há mais de 20 anos ganha relevância neste momento em que o governo discute temas sensíveis que passam pelo STF. A relação entre os Poderes é observada de perto por analistas, e encontros pessoais entre autoridades costumam ser vistos como sinal de diálogo institucional.

Especialistas ouvidos pela imprensa lembram que a ausência de reuniões a sós não significa, necessariamente, rompimento. Afinal, em tempos de redes sociais e comunicação direta, muitos contatos acontecem por intermediários ou por canais oficiais. Ainda assim, a revelação reforça a percepção de que a relação nunca mais foi a mesma desde os desdobramentos da Lava Jato.

Um reencontro possível?

Nos bastidores do Planalto e do STF, a possibilidade de uma aproximação entre Lula e Fachin é vista com cautela. Não há, por ora, nenhum encontro formal previsto na agenda. Mas tanto o governo quanto o tribunal têm insistido no discurso de harmonia entre os Poderes, e gestos públicos de cortesia têm sido frequentes.

Na avaliação de integrantes do governo, a relação entre Lula e Fachin é tratada com maturidade institucional. Os dois têm demonstrado, em público, respeito mútuo. Ainda que a intimidade de outras épocas não tenha voltado, os interesses republicanos se sobrepõem às diferenças pessoais.

A revelação da coluna de Lauro Jardim, nesse sentido, funciona como um retrato de uma relação que mudou de natureza. O que antes era um diálogo próximo — possivelmente marcado por afinidades políticas e pessoais — tornou-se uma convivência protocolar, pautada pelas funções de cada um. Para o presidente e para o ministro, o tempo passou, mas as marcas das últimas décadas permanecem.

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