Reforma tributária entra na eleição e previsibilidade sai de cena
Reforma tributária entra na eleição e previsibilidade sai

A reforma tributária, que prometia simplificar o sistema de impostos no Brasil, entrou de vez na pauta eleitoral, e a previsibilidade tão esperada pelo mercado deu lugar a dúvidas e volatilidade. O que era visto como uma agenda técnica e suprapartidária agora se tornou alvo de disputas políticas, gerando apreensão entre investidores e empresários.

O impacto da politização da reforma

A inclusão da reforma tributária no debate eleitoral trouxe consigo uma série de incertezas. Propostas que antes pareciam consensuais passaram a ser questionadas, e novos elementos, como alíquotas diferenciadas e exceções setoriais, ganharam destaque. Especialistas apontam que esse movimento reduz a previsibilidade necessária para o planejamento de longo prazo das empresas.

“A reforma tributária era uma das poucas agendas que unia diferentes espectros políticos. Agora, com a eleição, cada candidato tenta adaptá-la aos seus interesses, o que gera insegurança jurídica e econômica”, afirma o economista Carlos Alberto, em entrevista ao InfoMoney.

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Consequências para o mercado

A volatilidade já se reflete nos ativos financeiros. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem oscilado conforme as declarações dos candidatos sobre o tema. Empresas de setores mais sensíveis à carga tributária, como consumo e indústria, são as mais afetadas.

Dados recentes mostram que o índice de incerteza econômica subiu 15% desde que a reforma entrou na campanha. Investidores estrangeiros também reduziram suas posições em ativos brasileiros, à espera de maior clareza sobre o futuro fiscal do país.

O que está em jogo

A reforma tributária em discussão prevê a unificação de impostos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS em um IVA dual, além de mudanças no Imposto de Renda. No entanto, a falta de acordo sobre alíquotas e transições tem travado o avanço no Congresso. Com a eleição, o tema pode ser postergado para 2026, aumentando a demora em um sistema que já é considerado um dos mais complexos do mundo.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil gasta cerca de 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais, um dos maiores tempos globais. A reforma poderia reduzir esse custo, mas a politização ameaça esse objetivo.

Perspectivas futuras

Analistas recomendam cautela. “O investidor precisa diversificar e evitar posições concentradas em setores muito expostos à tributação. Acompanhar as propostas dos candidatos será essencial nos próximos meses”, orienta a consultora financeira Ana Paula.

Enquanto a campanha eleitoral avança, a reforma tributária segue como uma promessa incerta. A previsibilidade, tão cara ao mercado, parece ter saído de cena, pelo menos por enquanto.

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