A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira uma operação de busca e apreensão na mansão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, como parte das investigações sobre o esquema do Banco Master. A ação ocorre em meio à delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, cuja proposta foi entregue à PF e à Procuradoria-Geral da República na quarta-feira.
Segundo a PF, Ciro Nogueira recebia uma mesada de R$ 300 mil, que poderia chegar a R$ 500 mil, em troca de apresentar emendas parlamentares redigidas por assessores de Vorcaro e de interesse do Master. A investigação aponta que Vorcaro entregou um envelope ao senador com o texto de uma emenda para favorecer o banco.
A operação reacendeu a crise política em torno do Banco Master, que já gerou disputas entre direita e esquerda sobre responsabilidades. Agora, o foco recai sobre o Centrão e o bolsonarismo, já que Ciro Nogueira, presidente do PP, era um aliado importante de Jair Bolsonaro e apoiava a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Até o momento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se pronunciou oficialmente sobre a operação. Enquanto petistas exploram o caso nas redes sociais, líderes e ministros de Lula mantêm cautela, pois a delação de Vorcaro pode envolver figuras de todos os espectros políticos.
Especialistas apontam que a delação premiada de Vorcaro, para ser aceita, precisa trazer fatos novos e pode implicar peixes maiores que Ciro Nogueira. A expectativa em Brasília é que novos alvos surjam nos próximos meses, ampliando o alcance das investigações.



