Pesquisa aponta que a direita domina o debate nas redes sociais no Brasil, superando a esquerda em alcance e engajamento. Especialistas apontam que o fenômeno se deve a fatores como pioneirismo digital, arquitetura das plataformas, acesso a financiamento e tipo de conteúdo disseminado.
Segundo o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, da UFABC, a esquerda brasileira sempre teve dificuldades com comunicação, o que se reflete no cenário digital. Ele afirma que há menos canais de esquerda na internet, com alcance menor que os da extrema direita.
A cientista política Camila Rocha, pesquisadora do Cebrap, destaca que a direita consegue monetizar suas atividades, com produtores de conteúdo que se comportam como ativistas, mas visam lucro. Já na esquerda, esse tipo de iniciativa encontra mais dificuldades devido a perfil social e cultural.
Rocha também aponta que a direita foi vanguardista na ocupação das redes sociais, dominando técnicas como uso de memes e cursos de aprimoramento pessoal. Além disso, a esquerda adotou um discurso abstrato e acadêmico, que afasta o público.
A socióloga Carla Montuori Fernandes, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que a crise da democracia liberal em escala global favorece líderes populistas que usam redes sociais para disseminar desinformação.



