Em convenção nacional realizada neste domingo (2) em Brasília, o partido Democratas oficializou Wilson Grassi Junior como candidato à Presidência da República na eleição de 2026. A decisão foi tomada por delegados de 26 estados e do Distrito Federal, que aprovaram o nome após um processo interno que durou meses. A proclamação ocorreu no final da tarde, em um hotel da capital federal, com a presença de lideranças regionais da sigla.
Segundo o partido, a escolha de Grassi Junior representa uma tentativa de renovação e de aproximação com setores que historicamente não se viam contemplados nas candidaturas tradicionais. Em nota oficial, a direção nacional afirmou que a candidatura "marca o início de um novo ciclo" e que "Wilson Grassi Junior reúne capacidade de diálogo e experiência de gestão" para disputar o Palácio do Planalto.
O anúncio encerra semanas de especulação sobre uma possível aliança com outras legendas de centro. Nas últimas semanas, dirigentes do Democratas chegaram a manter conversas com representantes de outros partidos, mas prevaleceu a tese de lançar um nome próprio. Com isso, a legenda terá palanque em todo o país, o que é visto internamente como uma forma de fortalecer as candidaturas majoritárias e proporcionais.
Quem é Wilson Grassi Junior
Wilson Grassi Junior é um nome ainda pouco conhecido do grande público nacional, mas com atuação destacada em círculos empresariais e políticos do estado de São Paulo. Natural do interior paulista, ele construiu carreira no setor agroindustrial e participou de vários movimentos ligados ao cooperativismo. Antes de ter o nome aprovado para a disputa presidencial, Grassi Junior já havia sido cogitado para disputar o governo paulista, mas acabou preterido em razão da organização da campanha nacional.
Em seu discurso de aceitação, o candidato evitou antecipar propostas detalhadas, mas sinalizou que pretende pautar a campanha em três eixos principais: geração de empregos, segurança pública e reforma do Estado. Ele também defendeu uma política econômica previsível, com responsabilidade fiscal, e afirmou que vai buscar, ao longo da campanha, uma plataforma suprapartidária. "Quero ser um presidente que escuta os prefeitos, os governadores e, principalmente, o cidadão comum", disse, em trecho do discurso divulgado pela assessoria do partido.
Repercussão e próximos passos
A oficialização da candidatura de Wilson Grassi Junior muda o tabuleiro eleitoral e deve provocar reações dos demais partidos. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o Democratas, ao lançar um nome próprio, tenta ocupar um espaço no eleitorado de centro e de centro-direita, atraindo setores que se sentem sem representação na polarização entre os dois principais projetos em disputa.
Pela legislação eleitoral, o nome de Grassi Junior ainda precisa ser registrado no Tribunal Superior Eleitoral até o prazo determinado no calendário de 2026. A partir daí, o candidato terá direito a recursos do fundo partidário e do fundo especial de financiamento de campanha, além da propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão.
Estratégia de campanha
Segundo pessoas próximas ao comando da legenda, a estratégia inicial será priorizar visitas a estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o partido avalia que há maior possibilidade de crescimento. O Democratas quer posicionar Wilson Grassi Junior como um nome equilibrado, capaz de dialogar tanto com o mercado quanto com movimentos sociais, embora reconheça o desafio de ampliar o tempo de TV e a rejeição que ainda não foi medida pelo instituto de pesquisa.
O partido também pretende apresentar um plano de governo completo nas próximas semanas, elaborado por economistas e especialistas em políticas públicas que não participam diretamente da estrutura partidária. A equipe de campanha será montada de forma enxuta, mas com nomes de peso em comunicação digital, área que a legenda considera decisiva para reduzir a distância entre o candidato e o eleitor médio.
A convenção desta eleição também definiu as regras para a coligação. Caso não haja recuo até o registro da candidatura, Grassi Junior concorrerá sem vice no primeiro momento, hipótese que será revisada conforme as conversas com possíveis alianças em segundo turno. O comando nacional do Democratas informou que ainda está aberto a acordos programáticos, desde que eles não retirem a autonomia da chapa presidencial.
O cenário eleitoral segue indefinido em vários estados, e a definição da candidatura de Grassi Junior adiciona um novo ingrediente à disputa, que já conta com outros pré-candidatos anunciados. A estratégia do partido é simples: apresentar Wilson Grassi Junior como a opção válida para quem deseja uma terceira via. Resta saber como o eleitorado vai receber a mensagem nas urnas.



