A nova pesquisa Quaest para a Presidência da República, divulgada com exclusividade pela coluna, traz um panorama mais detalhado da sucessão de 2026. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00314/2026, ouviu 2.000 eleitores presencialmente entre os dias 8 e 10 de agosto, em 120 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 38% das intenções de voto. Jair Bolsonaro (PL) aparece logo atrás, com 33%. Ciro Gomes (PDT) registra 8%, seguido por Simone Tebet (MDB) com 4% e Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 3%. Os demais candidatos somam 2%, enquanto 8% dizem que votariam em branco ou nulo e 4% não souberam responder.
Cenários alternativos e a terceira via
Quando os dois principais nomes são retirados da disputa, o tabuleiro se reconfigura. Em um cenário sem Lula e Bolsonaro, Tarcísio de Freitas desponta como favorito, com 24% das intenções de voto. Ciro Gomes aparece em seguida, com 18%, e Simone Tebet marca 14%. O ex-ministro Sergio Moro (União Brasil) teria 5%, e outros candidatos somam 6%. Nesse quadro, 28% dos eleitores optariam por branco ou nulo, e 5% se dizem indecisos.
A pesquisa também testou um cenário apenas com candidatos de centro, sem a presença do PT e do PL. Nesse caso, Ciro Gomes lidera com 25%, seguido por Simone Tebet com 19% e Tarcísio com 17%. O resultado sugere que a chamada terceira via segue fragmentada, mas com potencial de crescimento se a polarização diminuir.
Impacto nas campanhas
Os números indicam que a eleição de 2026 deve ser decidida no segundo turno, mas com uma vantagem menor do que a registrada em levantamentos anteriores. Em maio, a mesma Quaest apontava Lula com 42% contra 31% de Bolsonaro. Agora, a distância caiu para cinco pontos, dentro da margem de erro, o que acende um alerta no PT.
Nos bastidores, aliados do ex-presidente Lula avaliam que a queda pode estar associada ao desgaste natural do governo e à concentração da oposição em temas de segurança pública. Já no entorno de Bolsonaro, o crescimento é visto como fruto do avanço de candidaturas apoiadas pelo ex-presidente nos estados, além do fortalecimento do discurso anticorrupção.
Metodologia e contratação
O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, seguindo o padrão de pesquisas eleitorais da Quaest. A coleta de dados foi feita com questionários estruturados, aplicados em domicílios sorteados em todas as regiões do país. O controle de qualidade incluiu a verificação de 20% dos questionários por meio de auditoria telefônica.
Segundo a Quaest, o objetivo da pesquisa foi medir não apenas a intenção de voto, mas também a rejeição e a avaliação do governo Lula. No quesito rejeição, Bolsonaro é o mais citado, com 47% dos eleitores afirmando que não votariam nele de forma alguma. Lula tem rejeição de 44%. A avaliação positiva do governo Lula é de 39%, enquanto 34% consideram a gestão ruim ou péssima.
O levantamento foi divulgado em meio à expectativa do lançamento oficial das candidaturas, previsto para o próximo mês. Os dados devem orientar as estratégias de marketing e alianças das principais coligações.



