Brasil enfrenta eleição sem candidato de centro pela primeira vez na Nova República
Brasil enfrenta eleição sem candidato de centro pela primeira vez na Nova República

O Brasil caminha para a primeira eleição presidencial da Nova República sem uma opção de centro, segundo análise de cientistas políticos. O cenário atual apresenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como único representante da esquerda, enquanto a direita se fragmenta em múltiplas candidaturas, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Pesquisas recentes, como a Genial/Quaest, mostram Flávio Bolsonaro liderando entre os candidatos de direita, seguido por Caiado e Renan Santos (Missão), que aparece numericamente à frente de Zema. A ausência de uma figura de centro é atribuída à polarização política acentuada, que reduziu o espaço para alternativas moderadas.

O cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da FGV EAESP, observa que a polarização diminuiu o espaço do centro, que perdeu seu discurso. Ele cita o caso de Simone Tebet, que foi a principal candidata de centro em 2022 e depois se associou ao governo Lula, perdendo a referência de centro. Tebet agora concorre ao Senado pelo PSB, partido de esquerda.

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Já o cientista político Josué Medeiros, professor da UFRJ, aponta que a força da extrema direita levou todo o sistema para perto de si, enquanto Lula agrupou a esquerda e a centro-esquerda. Quem não aceita se unir a Lula, como Ciro Gomes, acaba migrando para a direita.

Historicamente, as eleições brasileiras sempre ofereceram opções de centro, como em 1994, com Orestes Quércia (MDB) e Leonel Brizola (PDT); em 2002, com Anthony Garotinho (PSB); e em 2010 e 2014, com Marina Silva (PV/PSB). A atual falta de uma alternativa moderada reflete a radicalização do debate político no país.

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