O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado que adversários políticos que não acreditam no voto popular não deveriam ter sido candidatos à Presidência. A declaração ocorreu durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, que oficializou a chapa de Lula e Alckmin para a reeleição no comando do Executivo federal.
Alckmin lembra plano golpista e critica oposição
Sem citar nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Alckmin recordou que a oposição, após perder as eleições de 2022, arquitetou um golpe de Estado contra a democracia brasileira. “Tinham como projeto assassinar aqueles que foram eleitos pelo povo. Pelo voto popular, não deveriam sequer ter sido candidatos à Presidência”, disse o vice-presidente, em discurso direcionado aos militantes petistas presentes no evento.
Alckmin reforçou ainda que a descrença nas urnas eletrônicas é “a fumaça da derrota”, ironizando as críticas infundadas ao sistema eleitoral brasileiro. “A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”, brincou, destacando a segurança e a confiabilidade do processo de votação no país.
Crítica à CPMF e defesa do crescimento industrial
O vice-presidente também atacou a proposta de recriação da CPMF, tributo que, segundo ele, adversários políticos pretendiam impor à população. “Tinham o intuito de criar mais um imposto na frente econômica, a CPMF”, declarou Alckmin, posicionando-se contra medidas que possam onerar ainda mais os brasileiros.
Na ocasião, o vice-presidente aproveitou para destacar dados positivos da indústria nacional. Ele mencionou que, entre 2015 e 2022, o setor industrial encolheu 1,6%, mas que, com o governo Lula, a indústria cresceu 3,2%. Os números foram utilizados para reforçar a tese de que a política econômica atual tem gerado resultados concretos para o país.
Convenção oficializa chapa Lula-Alckmin
O evento no Expo Center Norte contou com a presença de lideranças petistas e aliados, marcando o início oficial da campanha presidencial. A chapa encabeçada por Lula, com Alckmin como vice, terá o maior tempo potencial de televisão entre os candidatos, além de uma estrutura robusta de apoio partidário. O programa de governo da coligação, segundo informações do partido, está em fase final de elaboração.
A convenção foi vista como um marco importante para a coalizão, que busca ampliar o apoio popular e consolidar alianças. Alckmin, por sua vez, reforçou o compromisso democrático da chapa e a defesa intransigente da vontade do eleitor.
Pano de fundo: investigações sobre golpe e ataques à democracia
A fala de Alckmin ocorre em meio às investigações sobre a suposta trama golpista após as eleições de 2022. A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) vêm apurando atos de grupos extremistas que, segundo as apurações, planejavam impedir a posse do presidente eleito. O vice-presidente, ao reforçar a importância do voto popular, demonstrou preocupação com a saúde democrática do país.
Para analistas, a declaração de Alckmin também serve como um alerta sobre a necessidade de se preservar a integridade do processo eleitoral. A menção à urna eletrônica, alvo constante de ataques por parte de bolsonaristas, foi uma defesa direta do sistema que garante a lisura das eleições no Brasil.
Repercussão e próximos passos da campanha
O discurso de Alckmin deve repercutir nos bastidores políticos, especialmente entre aliados e opositores. A referência à “fumaça da derrota” indica que a campanha de Lula pretendem rebater, de forma incisiva, as narrativas de fraude eleitoral. Com a oficialização da chapa, a equipe de comunicação deve intensificar as ações de rua e digitais para apresentar as propostas do governo.
Além disso, a convenção sinalizou a unidade da base aliada, que reúne partidos de diferentes espectros ideológicos em torno da reeleição. O desafio imediato, no entanto, é transportar o apoio político para o eleitorado, ampliando a capilaridade da campanha nos estados e municípios.
O clima entre os presentes era de otimismo, mas com a consciência das dificuldades de uma disputa polarizada. Alckmin, com sua trajetória de ex-adversário de Lula, simboliza a convergência em torno da defesa da democracia e do desenvolvimento econômico sustentável.



