Trump alega interferência chinesa em eleição de 2020 sem provas
Trump alega interferência chinesa em eleição de 2020

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a China interferiu nas eleições americanas de 2020, nas quais foi derrotado pelo democrata Joe Biden. A alegação, feita sem apresentar provas, foi o centro de um pronunciamento presidencial em horário nobre transmitido na noite desta quinta-feira (16).

Pronunciamento em horário nobre

Antes do discurso, Trump deu apenas detalhes vagos sobre o conteúdo. Questionado por um repórter se o pronunciamento trataria de “urnas eletrônicas e integridade eleitoral”, o líder norte-americano respondeu que abordaria “esse assunto” e que traria “notícias realmente, realmente grandes”. A agência Reuters já havia adiantado que a fala incluiria ataques às urnas eletrônicas e afirmações infundadas de fraude eleitoral em larga escala em 2020.

Pronunciamentos presidenciais em horário nobre nos EUA são normalmente reservados para grandes marcos ou eventos de importância nacional. A última vez que Trump fez um discurso nesse formato foi em abril, quando declarou que o país atingiria seus objetivos na guerra no Irã “muito em breve” – conflito que ainda está em andamento.

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Alegações rejeitadas por tribunais

A alegação de fraude em 2020 já foi rejeitada por tribunais, auditorias eleitorais e pelo Departamento de Justiça durante o primeiro mandato de Trump. Nenhuma evidência de fraude foi encontrada, incluindo qualquer manipulação de urnas eletrônicas. Na época, a agência federal de segurança cibernética classificou a votação como “a mais segura da história dos Estados Unidos”.

Especialistas em direito eleitoral afirmam que as iniciativas do governo Trump para ampliar a supervisão federal sobre a administração das eleições e propor mudanças no sistema de votação poderiam violar a Constituição americana ao retirar poderes dos Estados.

Impacto político

Democratas alertaram que Trump estaria tentando ressuscitar falsas alegações para deslegitimar as eleições legislativas de 2026, nas quais o Partido Republicano enfrenta dificuldades. A fixação de Trump com sua derrota para Biden e com teorias conspiratórias sobre o pleito continua sendo um tema recorrente em suas falas públicas desde que retornou à Casa Branca em 2025.

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, ao insistir que a eleição de 2020 foi ilegítima, Trump abre caminho para contestar possíveis derrotas republicanas e enfraquecer a legitimidade de eventuais vitórias democratas. Às vésperas das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso, democratas e especialistas em segurança eleitoral temem que o governo tente interferir no processo.

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