Rubio ataca Lula após tarifa de 25%: 'ego acima do acordo'
Rubio ataca Lula após tarifa de 25%: 'ego acima do acordo'

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados ao país, acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter “priorizado seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro”. Em publicação nas redes sociais, Rubio, integrante da ala ideológica do governo Trump, afirmou que a taxação é o preço que o Brasil paga pelo comportamento de Lula e que o governo brasileiro “não negociou com os EUA de boa fé”.

Acusações de má-fé e motivações políticas

“Que não haja dúvidas sobre o motivo [das tarifas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé”, escreveu Rubio no X. “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso.”

Autoridades do governo brasileiro, em caráter reservado à BBC News Brasil, contestaram a versão americana, afirmando que os EUA nunca estiveram dispostos a ouvir os argumentos brasileiros. Uma fonte do Palácio do Planalto disse que a motivação para as tarifas seria política e que Washington não estava aberta a uma negociação baseada em elementos comerciais ponderados.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Detalhes do tarifaço e produtos afetados

A aplicação das tarifas foi anunciada por Rubio e pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após o fim de uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas. A decisão, chancelada pelo presidente Donald Trump, entra em vigor em 22 de julho. A lista de produtos atingidos inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e material elétrico. Itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina ficaram de fora.

O representante americano de comércio, Jamieson Greer, afirmou que a medida busca “proteger os interesses econômicos dos EUA” e é necessária “para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas”. Greer disse que as negociações entre os dois países no último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas.

Reação do governo brasileiro e reciprocidade

Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão, classificando o dia 15 de julho como “um marco lastimável” nas relações bilaterais. O Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O anúncio já era esperado por diplomatas e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que em entrevista à BBC News Brasil há duas semanas admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável.

Investigação e contexto político

O tarifaço é o segundo em um ano e decorre de uma investigação aberta em julho de 2024, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. A investigação teve como alvos: supostas irregularidades no Pix; decisões judiciais contra plataformas digitais americanas; tarifas concedidas pelo Brasil a México e Índia que prejudicariam os EUA; e supostas falhas no combate à corrupção, pirataria e desmatamento ilegal.

Reação de Flávio Bolsonaro

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) republicou a postagem de Rubio e disse que Lula “não tem mais condições de ser presidente do Brasil”. “O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!”, escreveu no X. Lula acusa Bolsonaro de ter advogado pela taxação em encontros na Casa Branca, o que o senador nega.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Perfil de Marco Rubio e histórico de críticas

Rubio é um dos principais oficiais da Casa Branca nas negociações comerciais com o Brasil. Em 2024, quando Trump impôs sobretaxa de 50% sobre o Brasil em protesto contra o processo contra Jair Bolsonaro, Rubio foi nomeado para lidar com a questão. A taxação anterior foi revogada em novembro após negociações. Rubio também liderou sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, posteriormente retiradas, e esteve à frente da revogação de vistos de autoridades brasileiras em represália ao Programa Mais Médicos.

O secretário de Estado é conhecido por sua política linha-dura contra Cuba, Venezuela e China, principal parceiro comercial do Brasil. Em abril de 2023, chamou Lula de “radical antiamericano” após visita à Huawei. Em setembro de 2024, criticou a suspensão do X no Brasil, determinada por Moraes, como uma ameaça à liberdade de expressão. Rubio também chamou Moraes de “violador de direitos humanos”.