O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta terça-feira que está aberto ao diálogo com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a respeito da possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. No entanto, ele enfatizou que essa discussão não deve ser pautada por submissão ou vassalagem.
Posicionamento do governo brasileiro
Durigan destacou que o Brasil mantém uma posição soberana e que qualquer negociação com os EUA será conduzida com base no respeito mútuo. “Podemos falar sobre o tema, mas não cabe vassalagem. O Brasil é um país independente e tem suas próprias políticas de segurança”, afirmou o secretário.
A declaração ocorre em meio a tensões diplomáticas entre os dois países, após o governo americano sinalizar a intenção de incluir grupos criminosos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, em sua lista de organizações terroristas internacionais.
Impactos da classificação
Se concretizada, a medida poderia implicar sanções econômicas e restrições financeiras contra esses grupos, mas também geraria desafios diplomáticos. Especialistas apontam que a classificação unilateral pelos EUA poderia ser vista como uma interferência na política interna brasileira.
Durigan ressaltou que o Brasil já possui mecanismos legais eficazes para combater o crime organizado e que a cooperação internacional é bem-vinda, desde que respeite a soberania nacional. “Estamos dispostos a colaborar, mas sem abrir mão de nossa autonomia”, completou.
Reuniões bilaterais
O secretário-executivo adiantou que deverá se encontrar com Bessent nas próximas semanas para discutir o assunto, além de outros temas econômicos de interesse comum, como comércio e investimentos. A agenda ainda está sendo definida, mas a expectativa é de que o encontro ocorra em Washington.
Durigan também mencionou que o Brasil buscará esclarecer os critérios técnicos utilizados pelos EUA para a classificação de grupos terroristas, garantindo que não haja interpretações arbitrárias que possam prejudicar o país.
Reações no Congresso
A declaração de Durigan gerou reações no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição criticaram o que chamaram de “recuo” do governo, enquanto aliados defenderam a postura firme do secretário. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que “o Brasil não pode aceitar imposições externas”. Já o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), elogiou a “defesa da soberania”.
Contexto internacional
A discussão sobre a classificação de facções como terroristas não é nova. Em 2023, os EUA já haviam sinalizado interesse em incluir o PCC em sua lista, mas o governo brasileiro, à época, manifestou preocupação com as consequências diplomáticas. Agora, com a volta de Donald Trump à presidência, o tema ganhou novo impulso.
Durigan, no entanto, minimizou os atritos e afirmou que as relações Brasil-EUA são maduras o suficiente para superar divergências pontuais. “Temos uma parceria estratégica e vamos continuar trabalhando juntos em questões de interesse mútuo”, concluiu.



