O Grêmio viveu dias de intensa movimentação nos bastidores, mas, no fim das contas, decidiu permanecer na Libra, o bloco de negociação de direitos de transmissão. O clube chegou a convocar conselheiros para votar a migração para o Futebol Forte União (FFU) em fevereiro, mas recuou após uma série de reviravoltas.
Motivação financeira e o valor reduzido
A principal razão para a intenção de saída era a necessidade de dinheiro imediato. Segundo apuração do ge junto à gestão gremista, o clube receberia R$ 96 milhões pela venda de 10% dos direitos de transmissão por 50 anos ao grupo investidor do FFU. No entanto, os dirigentes descobriram que o valor seria reduzido porque o Grêmio entraria tardiamente no bloco – os demais clubes assinaram o contrato em 2023.
Parceria com o Flamengo e gratificação milionária
Ao ensaiar a saída, o Grêmio chamou atenção e passou a apoiar o pleito do Flamengo por um recálculo da distribuição da verba televisiva da Libra. Como resultado, o Rubro-Negro repassará R$ 24 milhões ao Grêmio entre 2026 e 2029, como gratificação pela parceria nas negociações que culminaram no novo acordo entre o Flamengo e os times da Libra. A informação foi divulgada pelo Estadão e confirmada pelo ge.
Houve também movimentos de bastidores de pessoas influentes para que o Grêmio não mudasse de bloco, mas os nomes não foram revelados.
Posição atual e poder de negociação
Hoje, o Grêmio está representado no comitê gestor da Libra pelo CEO Alex Leitão. O clube considera como trunfo não ter vendido antecipadamente nenhuma parte dos direitos de transmissão. Assim, com a eventual criação de uma liga unificada, teria maior poder de negociação no futuro.
A direção gremista garante não ter contraído empréstimos oferecidos no âmbito da Libra. Houve também a possibilidade de venda de parte dos direitos para um banco por 15 anos. Inicialmente, a proposta seduziu o Grêmio, mas, segundo fontes ouvidas pela reportagem, os termos poderiam mudar – de 5% para 14% dos direitos – e o acerto não ocorreu.
Caixa ainda apertado e atrasos salariais
Apesar do movimento, o clube não conseguiu o volume de recursos que almejava. O caixa segue sufocado, com atrasos frequentes nos salários. Os valores de junho, inclusive direitos de imagem, não foram pagos no prazo. Há promessa de pagamento com a entrada dos primeiros valores da venda de Viery à Fiorentina.
Clubes também cobram o Grêmio: o Anderlecht, da Bélgica, exige 400 mil euros pela compra de Amuzu; o River Plate, do Uruguai, cobra 200 mil dólares pelo empréstimo de Arezo ao Peñarol. Os uruguaios já acionaram a Fifa.



