A governadora Raquel Lyra (PSD) ultrapassou o ex-prefeito João Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco, segundo pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho de 2026. No primeiro turno, Raquel Lyra tem 43% das intenções de voto, contra 37% de João Campos. Em abril, Campos liderava com 42%, enquanto Lyra tinha 34%.
Fatores da virada eleitoral
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a melhora expressiva na aprovação do governo estadual foi o principal fator. “Raquel conseguiu transformar aprovação administrativa em intenção de voto. Fez isso no hiato entre a saída de João da prefeitura e o começo da campanha. É quando o incumbente fala sozinho, e no Brasil todo, tende a melhorar seus indicadores”, afirmou. Em julho, a aprovação do governo estadual atingiu 68% dos eleitores, ante 62% em abril e 51% em agosto de 2025. A desaprovação caiu de 45% (ago/2025) para 35% (abr/2026) e chegou a 23% em julho.
O cientista político Juliano Domingues destacou que a avaliação positiva do governo já vinha crescendo, mas só agora se converteu em intenção de voto. Entre os motivos, ele cita investimentos em segurança pública, com a presença dos “laranjinhas” (novos policiais militares) nas ruas, maior proximidade com o eleitorado evangélico pentecostal — segmento onde Lyra lidera com o dobro de intenções de Campos — e forte vinculação com o interior, com anúncios de obras no Agreste e Sertão.
Impacto da desincompatibilização de Campos
A cientista política Priscila Lapa aponta que a saída de João Campos da prefeitura do Recife, em abril, reduziu sua presença digital e o afastou da máquina administrativa. “Desde que ele se afasta, se desincompatibiliza para ser candidato, ele vai gerando um certo afastamento dessa presença digital, dessa dinâmica da cidade. O fator máquina administrativa conta muito na eleição para o Executivo”, disse. Além disso, a governadora passou a ocupar mais espaço nas redes sociais, tornando a disputa digital mais paritária.
Priscila também ressaltou a recomposição política de Raquel Lyra após deixar o PSDB e ingressar no PSD, fortalecendo sua articulação. “As pessoas estão avaliando o governo como um governo que está conseguindo fazer entregas necessárias, cumprindo lacunas que estavam presentes no cenário estadual”, declarou.
Disputa ainda indefinida
Apesar da vantagem, Felipe Nunes alerta que a eleição segue aberta. “Aprovação de governo e intenção de voto estão relacionadas, mas não são a mesma coisa. A disputa permanece aberta e tecnicamente empatada.” Pela margem de erro de três pontos percentuais, Raquel Lyra pode ter entre 40% e 46%, e João Campos entre 34% e 40%.
A pesquisa também aponta que 47% dos entrevistados desejam que o próximo governador seja aliado do presidente Lula (PT). Embora a Federação PT-PCdoB-PV apoie João Campos, 44% dos eleitores o veem como o candidato de Lula, ante 8% que indicam Raquel. Felipe Nunes avalia que o apoio de Lula pode ser decisivo, mas a neutralidade de Raquel Lyra em relação ao presidente dificulta que Campos monopolize essa condição. “Se ele for ao estado, andar com João, pedir voto abertamente a ele, as coisas podem mudar”, concluiu.



