PL aposta em Prado para Senado em SP com elo Tarcísio-Bolsonaro
PL aposta em Prado para Senado com elo Tarcísio-Bolsonaro

O Partido Liberal (PL) oficializou o nome de Maurício Prado como candidato ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. A aposta do partido é na força da aliança entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para impulsionar a candidatura. Prado, atual secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, é visto como um nome capaz de unir as bases bolsonarista e tarcisista.

Perfil de Maurício Prado e a estratégia eleitoral

Maurício Prado tem 52 anos, é economista e foi secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo desde 2023. Sua gestão à frente da pasta foi marcada por programas de atração de investimentos e desburocratização. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a escolha de Prado reflete a necessidade de um candidato com perfil técnico e alinhado ao projeto político do partido. "Maurício reúne condições de dialogar com o setor produtivo e ao mesmo tempo representa a pauta conservadora", disse Costa Neto.

A estratégia do PL é capitalizar a popularidade de Tarcísio, que registra altos índices de aprovação, e a lealdade do eleitorado bolsonarista. Pesquisas internas do partido indicam que a dobradinha Tarcísio-Bolsonaro pode render a Prado entre 15% e 20% dos votos já no primeiro turno. O ex-presidente Bolsonaro, em evento recente em São Paulo, endossou a candidatura: "Maurício é um guerreiro que vai defender nossos valores no Senado".

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Cenário da disputa e adversários

A corrida para o Senado por São Paulo conta com outros nomes fortes. O atual senador Eduardo Suplicy (PT) deve buscar a reeleição, enquanto o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União Brasil) também sinalizou interesse. O PSDB, que historicamente dominou o estado, ainda não definiu seu candidato, mas estuda lançar o ex-governador Rodrigo Garcia. Analistas políticos apontam que a fragmentação da oposição pode beneficiar Prado, caso ele consiga consolidar o voto conservador.

Segundo pesquisa Datafolha de junho, a intenção de voto para o Senado em São Paulo mostra Suplicy com 22%, Moro com 18%, Prado com 12% e Garcia com 8%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais. O PL espera que, com o início oficial da campanha e o corpo a corpo, Prado ultrapasse Moro e force um segundo turno contra Suplicy.

Alianças e financiamento

A candidatura de Prado será financiada pelo fundo eleitoral do PL, que recebeu R$ 500 milhões para a campanha de 2026. O partido também conta com o apoio de empresários do agronegócio e da indústria paulista. O coordenador da campanha, deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), afirmou que a meta é arrecadar mais R$ 10 milhões via doações de pessoas físicas. "Temos uma rede de apoiadores que acredita no projeto de desenvolvimento com liberdade econômica", disse Salles.

A aliança com Tarcísio é considerada crucial. O governador, que deve disputar a reeleição, já indicou que fará campanha ativa para Prado. Em contrapartida, o PL apoiará a reeleição de Tarcísio. A troca de favores políticos é vista como natural em um estado onde o Republicanos e o PL têm bases complementares.

Desafios e críticas

Apesar do otimismo, a candidatura de Prado enfrenta desafios. Sua baixa exposição nacional e a falta de experiência em eleições majoritárias são apontadas como fragilidades. Além disso, a polarização entre Bolsonaro e o presidente Lula pode afetar a disputa, já que o PT deve nacionalizar a campanha de Suplicy. O cientista político Marco Antonio Villa, da USP, avalia: "Prado é um nome técnico, mas em uma eleição polarizada, o eleitor tende a votar em figuras mais conhecidas. Ele precisará de muito carisma e da máquina pública para se destacar".

Outro ponto é a possível rejeição ao bolsonarismo em setores moderados. Pesquisas qualitativas mostram que parte do eleitorado paulista associa a imagem de Bolsonaro a extremismo, o que pode afastar votos no centro. O PL, no entanto, aposta que a gestão de Tarcísio, considerada moderada, servirá de ponte para esses eleitores.

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A campanha de Prado deve começar oficialmente em agosto, com uma série de carreatas e comícios pelo interior do estado. O foco inicial será nas regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Sorocaba, onde o bolsonarismo tem forte penetração. O objetivo é consolidar a base antes de partir para a Grande São Paulo, onde a disputa é mais acirrada.