O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) intensificou nos últimos dias uma ofensiva para tentar reverter a saída do PP e do União Brasil da aliança que apoia a candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro. Segundo interlocutores próximos ao senador, ele já telefonou pessoalmente aos presidentes nacionais das duas legendas, Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil), para reforçar o apelo pela manutenção do apoio.
Contexto da crise na aliança
A movimentação ocorre após o anúncio da saída de Rogério Lisboa (PP) como vice na chapa de Douglas Ruas. Lisboa, que era o principal nome do PP na composição, deixou a candidatura, o que gerou uma reação em cadeia. O PP e o União Brasil sinalizaram que poderiam adotar posição de neutralidade no pleito estadual, enfraquecendo a frente de direita no Rio.
Flávio Bolsonaro, que busca consolidar seu nome para a sucessão presidencial, vê a aliança no Rio como estratégica para fortalecer o campo conservador. A perda do apoio das duas siglas poderia reduzir o tempo de TV e a capilaridade da campanha de Ruas, além de abrir espaço para adversários.
Telefonemas e articulação
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, Flávio ligou para Ciro Nogueira na última quarta-feira e para Antonio Rueda na quinta, em conversas que duraram cerca de 20 minutos cada. Em ambas, ele teria pedido que as legendas reconsiderassem a decisão e mantivessem o apoio formal a Douglas Ruas. “Ele argumentou que a unidade da direita é fundamental neste momento e que o Rio é um palco importante para as eleições de 2026”, afirmou um assessor do senador que pediu anonimato.
A expectativa é que Flávio também participe da convenção estadual da federação PSDB-Cidadania, que ocorrerá em São Paulo no próximo sábado. O evento é visto como crucial para definir a postura da federação em relação à candidatura de Ruas. Embora a federação não integre diretamente a aliança, sua posição pode influenciar outros partidos.
Impacto na campanha de Douglas Ruas
Douglas Ruas, que é deputado federal e pré-candidato ao governo fluminense, vinha contando com o apoio de ao menos seis partidos, incluindo PL, PP e União Brasil. A saída de Rogério Lisboa e a possível neutralidade das siglas representam um duro golpe. “Estamos trabalhando para reverter esse quadro. O diálogo com os presidentes nacionais está avançado e acredito que possamos chegar a um bom termo”, declarou Ruas em entrevista coletiva na sexta-feira.
Sem o PP e o União Brasil, a coligação de Ruas perderia cerca de 1 minuto e 30 segundos de tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV, segundo cálculos de marqueteiros. Além disso, a ausência das siglas reduziria o número de candidatos a deputado federal e estadual que poderiam compor a chapa proporcional.
Próximos passos
Flávio Bolsonaro deve se encontrar pessoalmente com Ciro Nogueira e Antonio Rueda nos próximos dias, antes do prazo final para registro de candidaturas. A convenção estadual em São Paulo será um teste decisivo para a capacidade de articulação do senador. Caso não consiga reverter a saída, a campanha de Douglas Ruas terá que se reorganizar rapidamente para evitar um colapso.
O PL, partido de Flávio e de Ruas, já iniciou conversas com outras legendas, como o Republicanos e o Solidariedade, para tentar compensar eventuais perdas. No entanto, a cúpula nacional do partido reconhece que a manutenção do PP e do União Brasil é prioritária.



