O senador Cleitinho (Republicanos-MG) contrariou a decisão oficial de seu partido e declarou, nesta quarta-feira (29), que pretende concorrer ao governo de Minas Gerais em 2026. A manifestação ocorreu horas após o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmar que o senador não seria candidato, gerando um impasse político e jurídico.
A decisão do Republicanos
O Republicanos anunciou que Cleitinho não será candidato ao governo mineiro, citando a falta de uma definição clara por parte do senador. Em nota conjunta das executivas nacional e estadual, a legenda afirmou que a ausência de Cleitinho na convenção estadual do partido, realizada no último sábado (25), produziu 'consequências inevitáveis'. A decisão foi divulgada pelo blog do Valdo Cruz e repercutiu imediatamente.
Cleitinho, no entanto, reagiu rapidamente. Sua assessoria divulgou uma nota contradizendo a direção partidária e reafirmando a disposição do senador em disputar o Palácio Tiradentes. 'O senador Cleitinho mantém seu interesse em ser candidato ao governo de Minas Gerais, como sempre esteve', diz o texto. Até o momento, não há confirmação se Cleitinho permanecerá filiado ao Republicanos.
As idas e vindas de Cleitinho
A trajetória da possível candidatura foi marcada por indefinições. Em 2 de março, o Republicanos lançou a pré-candidatura de Cleitinho, apostando em sua alta votação – mais de 4 milhões de votos para o Senado em 2022 – para fortalecer a chapa proporcional. Naquele momento, Cleitinho condicionou sua candidatura a dois fatores: estar na liderança das pesquisas e a não candidatura do deputado Nikolas Ferreira (PL).
No entanto, a hesitação foi constante. Em 1º de abril, Cleitinho publicou um vídeo negando desistência, mas com tom evasivo. Em 10 de junho, no Senado, voltou a condicionar sua decisão às pesquisas: 'Se for da vontade de Deus e da vontade do povo – liderando pesquisa –, claro que eu quero ser um pré-candidato a governador'. Ele ainda criticou adversários que o acusavam de temer administrar um estado 'quebrado'.
Com o apoio do governo Romeu Zema a Mateus Simões e a desistência de Nikolas, o PL buscou Cleitinho para ter palanque em Minas. Mas o senador adiou a resposta para 'depois da Copa do Mundo'. Eliminado o Brasil em 30 de junho, Cleitinho permaneceu em silêncio. Em 8 de julho, afirmou que poderia decidir só em 5 de agosto, último dia das convenções, e criticou o presidente estadual do Republicanos.
Em 18 de julho, o irmão mais novo de Cleitinho, Matheus Azevedo, morreu vítima de leucemia. Interlocutores relataram que o senador estava de luto e sem condições de fazer campanha. Na convenção estadual do partido em 25 de julho, ele não compareceu.
O impasse legal e as consequências
A legislação eleitoral impõe obstáculos a uma candidatura sem o partido. O prazo de filiação partidária para as eleições de 2026 terminou em 4 de abril. Como Cleitinho estava filiado ao Republicanos naquela data, ele só pode concorrer por essa legenda. A lei não permite candidaturas avulsas. Assim, mesmo que o senador queira disputar, depende do registro feito pelo partido.
A pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho mostrou Cleitinho na liderança, o que reacendeu suas declarações de candidatura. Mas a executiva nacional do Republicanos considerou que a indefinição do senador inviabilizou o projeto. 'A ausência na convenção teve consequências inevitáveis', reiterou a nota.
O impasse afeta diretamente a organização das campanhas proporcionais, que dependem da definição do cabeça de chapa. Partidos como PL e Republicanos já negociam apoio a Marcelo Aro (PP) como alternativa.



