O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma postura centralizadora e de isolamento que tem afastado aliados do próprio partido, o Partido Liberal. A insatisfação cresce entre parlamentares e líderes regionais, que reclamam da falta de diálogo e da concentração de poder nas mãos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Falta de diálogo gera descontentamento
Segundo relatos de integrantes do PL, Flávio tem tomado decisões unilaterais, sem consultar a base aliada. Um deputado federal, que preferiu não se identificar, afirmou: "Ele não ouve ninguém. Quem não concorda é excluído." A insatisfação é particularmente forte entre os deputados estaduais e prefeitos, que se sentem desprestigiados.
Nos últimos meses, pelo menos cinco prefeitos filiados ao PL no Rio de Janeiro deixaram o partido, citando a gestão centralizadora de Flávio. Em 2025, o partido perdeu 12% de seus filiados no estado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Impacto nas eleições de 2026
A situação preocupa o alto comando do PL, que vê o afastamento de aliados como um risco para as eleições de 2026. Flávio é cotado para concorrer ao governo do Rio de Janeiro, mas a falta de apoio interno pode comprometer sua candidatura. Um dirigente nacional do partido comentou: "Se ele continuar assim, vai perder o apoio que tem."
Além disso, a centralização de Flávio contrasta com a postura de outros líderes do PL, que buscam ampliar alianças. Enquanto Jair Bolsonaro mantém diálogo com diferentes setores, Flávio tem se isolado, gerando críticas até mesmo de aliados históricos.
Reações no partido
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, evitou comentar diretamente o caso, mas afirmou que "o partido é grande e tem espaço para todos". No entanto, nos bastidores, aliados pressionam por uma mudança de postura. Um senador do PL disse: "Flávio precisa entender que política se faz com diálogo, não com imposição."
A situação é agravada pela influência de Flávio na máquina partidária. Ele controla diretórios regionais e indicações de cargos, o que gera ainda mais descontentamento entre os que se sentem excluídos. A expectativa é que, nos próximos meses, mais filiados deixem o partido se a postura não mudar.



