O economista Gustavo Pessoa, da Fundação Getulio Vargas (FGV), participará de uma audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir o sistema de pagamentos instantâneos Pix, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil. Na ocasião, Pessoa destacará o Pix como um sistema aberto e acessível, que tem promovido maior concorrência em um mercado historicamente dominado por grandes instituições financeiras.
Pix como modelo de inclusão e competitividade
De acordo com o economista, o Pix representa um avanço significativo na infraestrutura de pagamentos brasileira, permitindo transações rápidas e gratuitas para pessoas físicas e pequenos empresários. "O Pix é um exemplo de como a tecnologia pode democratizar o acesso a serviços financeiros", afirmou Pessoa em entrevista. Ele ressaltou que o sistema já movimenta bilhões de reais diariamente e conta com mais de 150 milhões de usuários cadastrados.
A audiência no USTR ocorre em um momento em que os Estados Unidos avaliam a criação de um sistema similar, o FedNow, e buscam entender os desafios e benefícios de implementar uma plataforma de pagamentos instantâneos. Pessoa acredita que a experiência brasileira pode servir de referência para outros países.
Desafios de governança e expansão
Apesar do sucesso, o economista aponta que o Pix enfrenta desafios relacionados à governança e à expansão. "Precisamos discutir como garantir a segurança do sistema e evitar o uso indevido, além de ampliar o alcance para regiões com menor infraestrutura", explicou. Ele defende que o debate no USTR pode influenciar discussões futuras no Brasil sobre a evolução do Pix e de outras infraestruturas de pagamento.
Pessoa também destacou que sistemas de pagamentos instantâneos não são exclusividade brasileira, mas o Pix se diferencia por sua abertura e baixo custo. "Outros países têm soluções semelhantes, mas poucas alcançaram a escala e a aceitação do Pix", completou.
Impacto no mercado financeiro
Desde seu lançamento em 2020, o Pix reduziu significativamente o uso de dinheiro em espécie e de transferências tradicionais como TED e DOC. Segundo dados do Banco Central, o sistema já processa mais de 3 bilhões de transações por mês, consolidando-se como o principal meio de pagamento do país. A participação de Gustavo Pessoa na audiência do USTR reforça a importância do Pix como caso de sucesso internacional e abre caminho para novas parcerias e trocas de conhecimento.



