O bloqueio de despesas no Orçamento de 2025 deverá ser reduzido em até R$ 15 bilhões, segundo estimativas de técnicos do governo, impulsionado pelo aumento da arrecadação da Previdência Social. A melhora nas contas da seguridade social, que registrou superávit de R$ 12,3 bilhões no primeiro semestre, permite ao governo aliviar o contingenciamento necessário para cumprir o arcabouço fiscal.
Impacto da arrecadação previdenciária
O crescimento real da arrecadação previdenciária, de 8,2% nos primeiros seis meses de 2025, superou as projeções iniciais da equipe econômica. Esse desempenho decorre do aumento do emprego formal e da massa salarial, que elevaram as contribuições ao INSS. Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, “a arrecadação da Previdência está surpreendendo positivamente e contribui para um cenário mais favorável para o cumprimento das metas fiscais”.
Redução do bloqueio orçamentário
Com a receita extra, o governo poderá reduzir o bloqueio de despesas discricionárias, originalmente estimado em R$ 40 bilhões, para algo entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões. O alívio será mais sentido em ministérios como Educação, Saúde e Infraestrutura, que sofreriam cortes mais severos. O contingenciamento é necessário para garantir que as despesas totais não ultrapassem o teto do arcabouço fiscal, que limita o crescimento dos gastos a 70% da variação da receita primária.
Desafios fiscais ainda persistem
Apesar do alívio, o governo ainda enfrenta desafios para cumprir a meta de déficit primário zero em 2025. A despesa obrigatória, especialmente com a Previdência e o funcionalismo, continua pressionada. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que “a melhora na arrecadação é bem-vinda, mas não elimina a necessidade de ajuste estrutural nas contas públicas”. O governo mantém a expectativa de aprovar medidas de aumento de receita e controle de gastos no Congresso.
Reações de analistas
Analistas do mercado financeiro avaliam que a redução do bloqueio é positiva, mas insuficiente para garantir a sustentabilidade fiscal no longo prazo. O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, destacou que “a arrecadação previdenciária ajuda, mas o governo precisa de reformas mais profundas para evitar novos apertos no futuro”. A projeção de crescimento do PIB de 2,5% para 2025 também contribui para a melhora da receita, mas riscos externos e a volatilidade cambial podem comprometer o cenário.



