O governo central registrou um déficit primário de R$ 45 bilhões em junho, o pior resultado para o mês desde 2020, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Tesouro Nacional. O número veio acima das expectativas do mercado, que projetava um déficit de R$ 38 bilhões, e acendeu alerta sobre a trajetória fiscal do país.
Receitas e despesas
As receitas totais somaram R$ 180 bilhões, uma queda real de 2,5% em relação a junho de 2025, enquanto as despesas atingiram R$ 225 bilhões, alta de 4,8% no mesmo período. O crescimento dos gastos foi puxado principalmente pelo aumento de 6,2% nos benefícios previdenciários e de 5,1% nos gastos com pessoal e encargos sociais.
Impacto no resultado acumulado
No acumulado do primeiro semestre, o déficit primário do governo central alcançou R$ 120 bilhões, equivalente a 1,2% do PIB. Segundo o Ministério da Fazenda, o resultado reflete a pressão de despesas obrigatórias e a frustração de receitas extraordinárias que haviam ajudado no ano passado.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o governo está comprometido com o equilíbrio fiscal e que medidas de ajuste estão sendo avaliadas. "Estamos monitorando de perto a execução orçamentária e, se necessário, adotaremos medidas adicionais para garantir o cumprimento da meta fiscal", disse Ceron, em nota.
Reações do mercado
O resultado pior do que o esperado gerou reação negativa nos mercados financeiros. O dólar subiu 0,8% frente ao real, cotado a R$ 5,20, e a taxa do contrato de swap DI para janeiro de 2027 avançou para 14,5% ao ano. Analistas apontam que a deterioração fiscal pode comprometer a credibilidade do arcabouço fiscal recém-aprovado.
Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, o cenário exige cautela. "O déficit de junho mostra que o ajuste fiscal ainda não começou de fato. O governo precisa sinalizar cortes de gastos mais efetivos para evitar uma piora nas expectativas", afirmou.
Perspectivas para o segundo semestre
O governo mantém a meta de déficit primário de 0,5% do PIB para 2026, mas o resultado acumulado já está em 1,2% do PIB no primeiro semestre. Especialistas consideram difícil o cumprimento da meta sem novas medidas de receita ou contingenciamento de despesas. O próximo relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, previsto para agosto, deverá trazer novos bloqueios orçamentários.



