O governo brasileiro avalia retaliar os Estados Unidos com medidas que podem incluir royalties e patentes farmacêuticas, em resposta ao tarifaço imposto por Donald Trump. A informação foi divulgada por fontes do mercado, que indicam que a chamada Lei da Reciprocidade está sendo estudada como base legal para a retaliação.
Impacto limitado, mas alertas permanecem
Segundo o JPMorgan, o impacto econômico do tarifaço é limitado, mas o efeito político é mais relevante. O banco destacou que as isenções concedidas por Trump reduzem o alcance das tarifas, mas o ambiente de incerteza prejudica investimentos. A Fiesp criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço "se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado".
O mercado reagiu com queda do Ibovespa, que recuou para os 175 mil pontos, acompanhando o movimento das Treasuries. O juro do Tesouro IPCA+ subiu por toda a curva, refletindo o aumento da aversão ao risco.
Lei da Reciprocidade como arma
A Lei da Reciprocidade, que o Brasil pretende usar contra os EUA, permite ao país adotar medidas comerciais equivalentes em caso de barreiras injustificadas. Especialistas apontam que a retaliação pode envolver setores estratégicos, como o farmacêutico, onde o Brasil detém patentes de medicamentos.
O governo ainda não detalhou as medidas, mas a possibilidade de taxar royalties e patentes gerou reações no setor. "É uma jogada arriscada, mas necessária para mostrar força", afirmou um analista político sob condição de anonimato.
Ormuz no radar e prêmio de risco
Além da tensão comercial, o estreito de Ormuz volta ao radar, com o Irã ameaçando fechar mais rotas marítimas. Isso reacende o prêmio de risco para petroleiras, elevando os custos de frete e seguros. O diesel já sente o aperto, com alta nos preços internacionais.
Outros destaques do mercado
No agronegócio, o café solúvel do Brasil ficou isento das tarifas dos EUA, garantindo exportações. Já a Copel caiu 3% após elevar a meta de alavancagem, enquanto a Movida dobrou o lucro líquido no 2º trimestre de 2026, para R$ 135,6 milhões. A Ânima desabou 33% após a compra da FMU, e analistas apontam 5 motivos para a queda.
Política e reações
No campo político, Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, atacaram Lula, que por sua vez culpou a família Bolsonaro pela ação dos EUA. Flávio comparou Lula a Joe Biden e disse que o Brasil é um "avião sem piloto". O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, foi alvo de representação na PGR após xingar indígenas.



