O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a assessores próximos que finalmente vai se reunir com o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas o tom dado pelo chefe do Executivo foi de pouco entusiasmo. A informação foi confirmada por fontes do Palácio do Planalto nesta quarta-feira.
Encontro pode destravar pautas no Congresso
Segundo interlocutores, Lula resistia ao encontro há semanas, mas a pressão de líderes do governo no Congresso e a necessidade de aprovar projetos prioritários o fizeram ceder. Alcolumbre, que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, é visto como peça-chave para a tramitação de matérias importantes, como a reforma tributária e o novo marco fiscal.
Fontes do Planalto afirmam que a reunião deve ocorrer na próxima semana, em Brasília. A pauta prevista inclui a indicação de nomes para cargos no governo e a liberação de emendas parlamentares. Alcolumbre tem sido um crítico da articulação política do governo, e o encontro é visto como uma tentativa de apaziguar os ânimos.
Relação tensa entre Lula e Alcolumbre
A relação entre os dois nunca foi próxima. Durante a campanha de 2022, Alcolumbre apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro, o que gerou ressentimento no PT. Nos últimos meses, Alcolumbre tem feito declarações duras sobre a condução do governo, especialmente na área econômica.
“O governo precisa ter mais diálogo com o Congresso. Não se governa com decreto”, disse Alcolumbre em entrevista recente, sem citar nomes. A crítica foi interpretada como direcionada a Lula e ao ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Impacto na base aliada
A sinalização de Lula é vista com cautela por aliados. Alguns avaliam que a reunião pode ser um passo para recompor a base, mas outros temem que o desgaste entre as partes seja grande demais. Líderes do governo no Congresso, como o senador Jaques Wagner (PT-BA), comemoraram a decisão, mas ressaltaram que o diálogo precisa ser constante.
“É um bom sinal. O presidente sempre esteve aberto ao diálogo, mas é preciso que haja reciprocidade”, afirmou Wagner. A expectativa é que a reunião ajude a destravar a pauta do Congresso, que acumula projetos parados por falta de acordo.



