Cuba anuncia maiores reformas econômicas desde 1959
Cuba anuncia maiores reformas desde a revolução de 1959

O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero, apresentou nesta quinta-feira a parlamentares um conjunto abrangente de medidas econômicas, apoiadas pelo Partido Comunista e pelo ex-líder Raúl Castro, que propõem a privatização de uma vasta parcela da economia socialista cubana. A iniciativa é uma tentativa de sobreviver às severas sanções impostas pelos Estados Unidos.

Maior mudança desde 1959

Se aprovadas pelos parlamentares e implementadas, as medidas representarão a maior transformação isolada no modelo socialista de Cuba desde a revolução de 1959, liderada por Fidel Castro, marcando uma guinada em direção a uma economia de mercado.

Detalhes das reformas

As reformas, apresentadas por Marrero, abrem as portas para o desenvolvimento imobiliário privado na ilha caribenha, transformam empresas estatais em empreendimentos comerciais privados com ações e participações acionárias, e permitem a entrada de bancos privados no setor financeiro cubano, antes dominado pelo Estado. Além disso, as medidas reduzem significativamente a burocracia para empresas privadas e empreendedores.

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O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou ao Politburo do Partido Comunista que as medidas são urgentes e necessárias, em meio ao agravamento das sanções dos EUA, que visam paralisar a liderança comunista do país.

“Precisamos liberar a produção, para aumentar a oferta e reduzir as restrições”, disse Díaz-Canel em discurso transmitido na manhã desta quinta-feira.

Processo de aprovação

A lista de 175 medidas, apresentada pelo primeiro-ministro em um discurso de quase duas horas aos parlamentares, agora precisa ser votada pela Assembleia Nacional para ser implementada. O sistema de partido único, controlado pelos comunistas, costuma aprovar por unanimidade as propostas do governo.

Dirigentes do partido classificaram as reformas como abrangentes, mas ainda fiéis às raízes socialistas do governo. Muitas dessas propostas estavam em discussão há meses ou anos sem serem implementadas, mas voltaram ao centro do debate devido à pressão dos Estados Unidos.

Apoio de Raúl Castro

Indiciado em maio nos Estados Unidos por acusações de homicídio, Raúl Castro apoiou as propostas em uma carta apresentada ao Politburo na quarta-feira, classificando-as como “benéficas” e instando à sua rápida implementação.

Impacto das sanções

As sanções do governo Trump devastaram a economia cubana, já em dificuldades, impedindo a chegada de petróleo à ilha, forçando a saída de empresas estrangeiras e dizimando a indústria do turismo, com apagões que duram dias, inflação galopante e escassez de combustível, água e medicamentos.

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