Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, defendeu nesta segunda-feira (3) em São Carlos (SP) que os recursos da União sejam repassados diretamente aos municípios, sem a intermediação de emendas parlamentares, incluindo as chamadas "emendas secretas" e "emendas PIX".
A declaração ocorre um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar que pretende enfrentar o atual modelo de distribuição de verbas por meio de emendas parlamentares. Tebet, que deixou o governo em abril para disputar o Senado, integra a chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, com Márcio França (PSB) como vice e Marina Silva (Rede) também concorrendo ao Senado.
Crítica às emendas e defesa dos municípios
"Esse dinheiro precisa chegar a quem mais precisa e chegar na mão das prefeituras, sem emendas secretas, sem emendas PIX, sem emendas parlamentares", afirmou Tebet durante entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, em São Carlos. A candidata ressaltou que os prefeitos conhecem melhor as necessidades de cada cidade e que os investimentos federais devem priorizar infraestrutura e políticas sociais de acordo com a realidade local.
No domingo (2), durante a convenção nacional do PT em São Paulo, Lula criticou o fundo partidário e as emendas parlamentares: "Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade. Fez todos nós iguais. Minha quarta presidência é pra mudar muita coisa. Vai ter briga com emenda parlamentar".
Feminicídio em São Paulo preocupa candidata
Tebet também demonstrou preocupação com o aumento dos casos de feminicídio no estado. Segundo ela, o crescimento da violência contra a mulher é "inexplicável" e exige o fortalecimento da rede de proteção às vítimas. "No Brasil, o pacto entre os poderes fez com que o feminicídio diminuísse um pouco a violência contra a mulher, mas o estado de São Paulo aumentou 10%. Isso é inexplicável no estado mais desenvolvido do Brasil e inaceitável", afirmou.
A candidata atribuiu parte do enfrentamento ao problema à ampliação da estrutura de atendimento às mulheres vítimas de violência. Ela lembrou que foi a primeira presidente da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher do Congresso Nacional, criada em 2015, e defendeu mais investimentos em equipamentos especializados. "Se não tem Casa da Mulher Brasileira, tem que colocar. Se não tem Delegacia Especializada da Mulher aberta 24 horas, nós temos que ajudar o governo do estado com recurso e o próprio município para que essas delegacias fiquem abertas", disse.
Mudança cultural e papel dos homens
Além do reforço na rede de atendimento, Tebet afirmou que o combate à violência contra a mulher passa por uma mudança cultural e pelo envolvimento dos homens. "O mais importante é que a gente possa ver os homens nos defenderem", disse. Segundo ela, a maioria dos homens brasileiros não pratica violência e pode contribuir ainda mais para mudar essa realidade ao não tolerar comportamentos machistas no cotidiano.
"Esses homens, no futebol, no bar, na igreja, no convívio familiar, desde a pequena piada até os grandes problemas, não vai por aí, 'nós não aceitamos isso', eu acho que a gente pode mudar", afirmou. Para a candidata, enquanto essa transformação cultural não acontece, é necessário garantir orçamento suficiente para financiar políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. "É uma questão cultural. Enquanto a cultura não vem, precisamos de instrumentos e mecanismos de defesa, por meio de um orçamento forte e robusto", concluiu.
Tebet afirmou ainda que os investimentos devem priorizar obras de infraestrutura e políticas sociais, respeitando as demandas específicas de cada região do estado.



