Plano de governo de Renan Santos promete extinguir favelas, sistema de cotas e modelo atual do Bolsa Família
O pré-candidato à Presidência da República, Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e integrante do partido Missão, apresentou nesta terça-feira (21) um plano de governo que prevê medidas radicais para o país. Entre as propostas estão a desfavelização do Brasil em um prazo de dez anos, a extinção do sistema de cotas raciais e sociais na educação e a substituição do programa Bolsa Família por frentes de trabalho remuneradas. O documento, divulgado como prévia, já gera intenso debate político.
Inspiração em El Salvador e combate ao crime
O plano de Renan Santos é fortemente inspirado em políticas adotadas em El Salvador, especialmente no combate à criminalidade com uso de força militar. O candidato propõe a criação de uma força-tarefa militar para atuar em áreas de alta violência, com ações que incluem a ocupação de favelas e a instalação de unidades de polícia comunitária. Além disso, o documento prevê reformas fiscais que visam simplificar o sistema tributário e reduzir a carga de impostos sobre empresas e trabalhadores.
Fim das cotas e novo modelo de assistência social
Outro ponto polêmico é o fim do sistema de cotas em universidades e concursos públicos. Segundo o plano, a medida seria substituída por um programa de mérito baseado em desempenho acadêmico e necessidade socioeconômica, sem recorte racial. O Bolsa Família, por sua vez, seria gradualmente substituído por um programa de frentes de trabalho, onde os beneficiários receberiam remuneração por serviços comunitários, como limpeza urbana e manutenção de espaços públicos. O objetivo declarado é gerar renda e reduzir a dependência de transferências diretas.
Estratégia eleitoral e cenário político
Renan Santos busca desbancar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela vaga no segundo turno, onde enfrentaria o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As pesquisas mais recentes indicam que Santos tem entre 8% e 12% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 18% e 22%. Lula lidera com cerca de 40%. A prévia do plano de governo foi divulgada como parte da estratégia de Santos para consolidar seu eleitorado de direita e atrair descontentes com o governo atual.
Reações e críticas
O plano já recebeu críticas de movimentos sociais, que apontam riscos de violações de direitos humanos nas ações militares em favelas e de exclusão de minorias com o fim das cotas. Em nota, a Central Única das Favelas (CUFA) classificou a proposta de desfavelização como "autoritária e irrealista". Por outro lado, setores do mercado financeiro elogiaram as reformas fiscais, mas demonstraram ceticismo quanto à viabilidade das medidas de segurança. O próprio Renan Santos afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais: "Nosso plano é ousado, mas necessário para tirar o Brasil do atraso. Não vamos recuar diante das críticas de quem defende o statu quo."
Próximos passos
A prévia do plano de governo será debatida em convenções partidárias e pode sofrer ajustes até o registro oficial da candidatura, previsto para agosto. Santos pretende intensificar a agenda de campanha com visitas a comunidades carentes e encontros com empresários. O documento completo deve ser lançado em setembro, com detalhamento orçamentário e cronograma de implementação.



