Quatro empresas fabricaram urnas eletrônicas no Brasil em 30 anos, aponta TSE
Quatro empresas fabricaram urnas eletrônicas no Brasil em 30 anos

Um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que quatro empresas foram responsáveis pela fabricação das urnas eletrônicas usadas no Brasil nos últimos 30 anos. Desde a adoção do voto eletrônico, em 1996, foram produzidos 1.487.115 equipamentos, distribuídos em 14 modelos diferentes, sempre a partir de um projeto desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral e executado por empresas vencedoras de licitação.

Contexto político e desinformação

O funcionamento das urnas eletrônicas voltou ao centro do debate político após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, citar dados falsos sobre os equipamentos durante reunião com embaixadores estrangeiros na semana passada. As declarações motivaram uma representação ao TSE pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), acusando o parlamentar de divulgar desinformação sobre o sistema eleitoral.

Processo de fabricação das urnas

De acordo com o TSE, o equipamento não é um produto pronto disponível no mercado. O projeto pertence integralmente à Justiça Eleitoral, que estabelece todas as especificações técnicas e de segurança a serem seguidas pelas fabricantes. A troca de fabricantes ao longo dos anos ocorre por meio de processos licitatórios. A empresa vencedora passa a produzir um equipamento concebido previamente pelo TSE, seguindo um edital com mais de 500 páginas de requisitos técnicos e de segurança. Após a aprovação do protótipo, toda a etapa de fabricação e testes é acompanhada por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral.

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Fabricantes e modelos ao longo das décadas

Atualmente, os modelos mais recentes — UE2020 e UE2022 — são fabricados pela Positivo Tecnologia. Antes dela, a Diebold/Diebold Procomp produziu oito gerações de urnas, entre os modelos de 2004 e 2015. Já a Unisys Brasil foi responsável pela primeira urna eletrônica utilizada no país, em 1996, além do modelo de 2002. A Procomp Indústria Eletrônica fabricou os equipamentos lançados em 1998 e 2000. Desde 1996, as urnas passaram por sucessivas atualizações de hardware e software, mantendo, segundo o TSE, a arquitetura de segurança desenvolvida no Brasil e de propriedade exclusiva da Justiça Eleitoral.

Refutação de alegações falsas

Na semana passada, diante de diplomatas, Flávio Bolsonaro mencionou dados inverídicos sobre a atuação da empresa venezuelana Smartmatic no Brasil. A Smartmatic, entretanto, não fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. Em 2017, quando a informação falsa começou a viralizar, o TSE publicou nota desmentindo-a. “As urnas eletrônicas brasileiras foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas por meio de processos licitatórios públicos e de ampla concorrência”, dizia a nota do TSE.

O levantamento do TSE reforça a transparência do processo e a segurança do sistema eletrônico de votação, destacando que todas as etapas são fiscalizadas e que os equipamentos são constantemente atualizados para garantir a integridade do voto.

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