A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15) revela que o percentual de eleitores indecisos sobre o voto no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 saltou de 5%, em maio, para 11%. O movimento coincide com a queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), que passou de 33% para 28% no mesmo período. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança com 40%, patamar estável nos últimos meses.
Crise de Flávio Bolsonaro e aumento da indecisão
Em maio, vieram a público conversas em que Flávio cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias, para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, as intenções de voto de Flávio não migraram para Lula nem para outros candidatos da direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). "Quem cresce neste momento é a indecisão. Há eleitores que estão olhando para o jogo, entendendo essa melhora do governo, mas não se movimentando naquela direção; entendendo as crises do Flávio e se distanciando dele, mas ainda não encontrando um caminho que ele considere uma alternativa viável na disputa eleitoral deste ano", disse Nunes em entrevista ao podcast O Assunto na quinta-feira (16).
Candidatos da direita ainda são pouco conhecidos
Outros pré-candidatos da direita enfrentam baixo reconhecimento. Zema, Caiado e Renan praticamente não são citados na pesquisa espontânea (quando os nomes não são apresentados) e variam entre 2% e 4% na pesquisa estimulada (quando os nomes são mostrados). Segundo a Quaest, 44% dos entrevistados não conhecem Caiado, 50% desconhecem Zema e 77% não sabem quem é Renan Santos. "A campanha produz grandes efeitos de mudança de opinião, devido à performance em entrevista, nos debates ou pelos ataques dos adversários. Esse momento será muito importante para esses três candidatos se apresentarem", afirmou Nunes ao Jornal da Globo na quarta-feira.
Indecisão cresce entre eleitores de direita
Na pesquisa espontânea, o índice de indecisos entre eleitores da direita não bolsonarista variou: 66% em março, 46% em junho e 57% em julho. Mesmo entre os bolsonaristas, 49% responderam não saber em quem votar (eram 39% em maio), e 45% citaram espontaneamente o nome de Flávio. Para Nunes, esse eleitorado começou a questionar se o senador ainda é a melhor alternativa para a direita. "Essa direita não bolsonarista começa a repensar: 'Será que é mesmo esse o melhor caminho?' Essa dúvida começa a influenciar também o eleitorado bolsonarista."
Convicção de voto em Flávio cai; em Lula, sobe
A pesquisa também mediu o grau de convicção do voto. Entre os eleitores de Flávio, o percentual que admite mudar de opinião passou de 30% em junho para 37% em julho, enquanto os que têm decisão definitiva caíram de 70% para 62%. Já entre os eleitores de Lula, a convicção subiu de 71% para 77%, e os que podem mudar caíram de 29% para 23%. "A pesquisa captura um aquecimento pró-Lula e um relativo esfriamento para Flávio. A gente está observando quase um processo de transição de opinião pública. Mas é sempre importante lembrar que pesquisa é um termômetro do momento", disse Nunes.
Aprovação de Lula melhora, mas atinge teto
Nos últimos quatro meses, a aprovação do governo Lula subiu cinco pontos percentuais, de 43% em abril para 48% em julho. Para Nunes, isso é consequência do programa Desenrola 2.0, que reduziu o número de brasileiros endividados; da expectativa gerada pela discussão sobre o fim da escala 6x1; e do impacto da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Esses fatores consolidam a vantagem de Lula nas simulações com todos os pré-candidatos, mas o petista alcançou um teto. "Mesmo aumentando a aprovação do seu governo e tendo a rejeição reduzida, isso não se transforma em intenção de voto", afirmou. Lula permanece com 40% no primeiro turno desde fevereiro (quando tinha 38%) e, nos cenários de segundo turno, aparece com cerca de 45% contra todos os adversários, índice estável nos últimos cinco meses.



