O Progressistas (PP) oficializou, neste sábado (1º), a candidatura do deputado federal Eduardo da Fonte ao Senado Federal. A decisão foi anunciada durante a convenção do partido, realizada na sede da legenda, no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife. Com a desistência do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, anunciada também neste sábado, Eduardo da Fonte passa a integrar a chapa encabeçada pela governadora Raquel Lyra (PSD), que disputa a reeleição.
Cada aliança pode apresentar até dois nomes para o Senado, número de vagas em disputa no pleito de 2026. Na chapa de Raquel Lyra, a segunda candidatura deve ser do deputado federal Túlio Gadelha (PSD), que participou da convenção do PP. A oficialização do nome dele está prevista para a convenção do PSD, marcada para o domingo (2).
Disputa interna e desistência de Miguel Coelho
A candidatura de Eduardo da Fonte se consolidou depois de uma disputa interna com Miguel Coelho, presidente estadual do União Brasil, dentro da federação formada por PP e União Brasil. Desde o início do ano, Eduardo tentava viabilizar seu nome para uma das vagas ao Senado. Até então, Miguel Coelho e seu partido estavam ligados ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), principal adversário da governadora Raquel Lyra, que também oficializa sua candidatura ao governo neste sábado.
Miguel era um dos cotados para o Senado na chapa de João Campos, mas concorria com outros nomes da Frente Popular de Pernambuco, como o senador Humberto Costa (PT), a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) e o então ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos). Em fevereiro, Miguel Coelho e parentes foram alvos da Operação Vassalos, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de desvios de emendas parlamentares. Dias depois, ele rompeu com João Campos e afirmou que o União Brasil “ficou refém” de um projeto que excluía o partido.
O grupo político dos Coelho passou então a integrar a base de apoio da governadora, e Miguel participou de agendas e entregas de obras em todo o estado. Após essa aproximação, Eduardo da Fonte chegou a conversar com o grupo de João Campos, mas a aliança não avançou. João Campos anunciou Humberto Costa e Marília Arraes como candidatos ao Senado. Nos meses seguintes, o nome de Eduardo ganhou força, chegando ao terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado.
Trajetória e promessas de campanha
Deputado federal desde 2007, Eduardo da Fonte Albuquerque Silva está no quinto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados. Ele preside o PP em Pernambuco e a federação União Progressista. Nas eleições de 2022, fez campanha conjunta com o filho, Lula da Fonte (PP), que também foi eleito deputado federal.
A candidatura ao Senado representa a tentativa de Eduardo da Fonte de deixar a Câmara dos Deputados após cerca de duas décadas de mandatos e conquistar uma vaga na Casa Alta do Congresso Nacional. No discurso da convenção, ele agradeceu a Miguel Coelho pelo “gesto de grandeza” ao abrir mão da pré-candidatura e prometeu trabalhar pela saúde dos pernambucanos, especialmente em tratamentos cardíacos e oncológicos no interior e no apoio a famílias com crianças com transtorno do espectro autista (TEA).
“Meu amigo Túlio Gadêlha, o que nos une com você, com a governadora Raquel Lyra, a melhor governadora da história de Pernambuco, é que a gente tem a capacidade de se colocar no lugar dos invisíveis, daquelas pessoas que não têm oportunidade. E é por isso que esse time aqui vai percorrer o estado de Pernambuco mostrando aquilo que já realizamos, que nós estamos conseguindo transformar”, afirmou Eduardo da Fonte.
O imbróglio na federação
No fim de junho, a federação formada por PP e União Brasil aprovou o nome de Eduardo da Fonte como pré-candidato ao Senado, já que o PP detém a maioria dos filiados entre os dois partidos. A decisão foi ratificada pelo presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, mas desautorizada pelo dirigente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Com isso, o impasse se arrastou. As duas legendas se reuniram diversas vezes com a governadora Raquel Lyra, mas só no último fim de semana de convenções partidárias Miguel Coelho anunciou a desistência.
Eduardo da Fonte foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2006, com 110.061 votos, e tomou posse em fevereiro de 2007. Desde então, foi reeleito em todas as disputas, nas eleições de 2010, 2014, 2018 e 2022. Na primeira legislatura, assumiu a segunda vice-presidência da Câmara dos Deputados entre 2010 e 2012 e, em 2013, foi eleito por unanimidade presidente da Comissão de Minas e Energia. Em 2022, foi reeleito para o quinto mandato com 124.850 votos e também elegeu o filho Lula da Fonte, que obteve 94.122 votos.
Calendário eleitoral
As convenções partidárias, eventos em que os filiados escolhem os candidatos para as eleições, têm prazo limite até 5 de agosto. Depois disso, os nomes devem ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto. A campanha eleitoral começa oficialmente no dia seguinte. Nas eleições de 4 de outubro, os brasileiros vão escolher presidente, governador, senadores (duas vagas por estado), deputados federais e deputados estaduais.



