O PP decidiu dizer não à aliança com Flávio Bolsonaro para a disputa do Palácio do Planalto em 2026, e o número que selou a negativa está na pesquisa encomendada pelo próprio partido. De acordo com levantamento que circulou nos bastidores do Congresso, 58% dos eleitores ouvidos afirmaram que rejeitam qualquer candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ou por seus filhos. O índice, apontado como o maior já registrado contra o núcleo bolsonarista, foi apresentado a Ciro Nogueira na semana passada e levou o presidente do PP a recusar publicamente a proposta de coligação feita pelo senador.
Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro se reuniram em Brasília em um encontro que estava cercado de expectativa. O senador fluminense tentava construir uma ampla aliança da direita e do centro para as eleições. Mas a resposta de Ciro foi taxativa: o PP não integrará uma coligação com o bolsonarismo enquanto a rejeição ao grupo não diminuir.
O que mostra o levantamento
O estudo mapeou a rejeição pela primeira vez em todos os estados do país e revelou que o fenômeno não se limita às regiões metropolitanas. No Sudeste, o índice chega a 62%. Entre as mulheres, o percentual atinge 64%. Já entre eleitores com ensino superior, a rejeição supera 70%. Esses números, aliados à queda de popularidade do governo federal, foram camisas de força na decisão do líder do PP.
O próprio Ciro Nogueira reconheceu, em reunião com dirigentes regionais, que uma coligação com Flávio Bolsonaro neste momento seria "a aposta no passado". A avaliação dos assessores próximos é que, com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o senador Flávio não agrega votos suficientes para compensar o desgaste que o partido sofreria ao caminhar ao lado da família Bolsonaro.
A força do centrão
O PP é considerado o partido mais estratégico do chamado centrão, com a maior bancada na Câmara dos Deputados e forte presença em estados das regiões Norte e Nordeste. Ciro Nogueira, que comandou a Casa Civil no governo Bolsonaro e depois apoiou a volta de Lula ao Planalto, tem sido cortejado por diferentes pré-candidatos.
O número da rejeição, no entanto, não é o único motivo. O partido também avalia que a sigla pode lançar uma candidatura competitiva a presidente, algo que não ocorre desde 1989. Nesse cenário, a aproximação com Flávio Bolsonaro limitaria o espaço de crescimento da legenda em uma eventual polarização com Lula.
Reações e próximos passos
No entorno de Flávio Bolsonaro, a resposta de Ciro Nogueira foi recebida com surpresa e irritação. Aliados do senador argumentam que, sem uma aliança com o PP, o campo conservador ficará fragmentado. Mas Ciro, em nota, afirmou que a decisão é soberana e que o partido mantém conversas com todos os segmentos.
Especialistas ouvidos pelo blog avaliam que o episódio marca um realinhamento importante na política nacional, com o centrão tentando se descolar do bolsonarismo para sobreviver ao cenário de alta rejeição. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue tentando articular com outras legendas, mas a recusa do PP reduz o raio de manobra do clã.
O desfecho desta negociação deve ser um dos temas centrais do segundo semestre, com debates sobre eleições majoritárias nos estados e a definição de candidaturas para o Palácio do Planalto. O número de 58% já é usado como trunfo político por partidos de centro que pretendem oferecer uma alternativa à polarização.



