A convenção do PL realizada no sábado, 1º, oficializou a candidatura do senador Sergio Moro ao governo do Paraná. No primeiro discurso como postulante ao Palácio Iguaçu, Moro direcionou críticas ao presidente Lula e tratou de demonstrar alinhamento com o núcleo bolsonarista, reforçando o discurso de que a aliança é essencial para um projeto nacional.
Em entrevista coletiva, o ex-juiz afirmou que o grupo político ao redor de sua campanha vai “lutar para derrotar Lula” e trabalhar para eleger o senador Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República. Essa é uma sinalização clara de que Moro busca transformar a disputa estadual em um palanque para o bolsonarismo, apesar das rusgas do passado.
Moro relembra ligação de Bolsonaro e justifica reaproximação
Questionado sobre um eventual desconforto em dividir o palanque com Flávio Bolsonaro, em razão do rompimento com Jair Bolsonaro quando deixou o Ministério da Justiça, Moro procurou contextualizar a relação. Em 2020, o então ministro acusou o ex-presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, o que culminou em sua saída da pasta. Dois anos depois, porém, o cenário mudou.
“Em 2022 eu não tive o apoio do presidente Jair Bolsonaro, mas fui eleito senador pelo Paraná. No segundo turno recebi uma ligação. Quem me ligou foi Bolsonaro, que pediu que eu o apoiasse para que nós pudéssemos derrotar o Lula. Apesar de ter algumas divergências e algum ressentimento, eu aceitei essa missão porque entendia que era importantíssimo para o nosso País. A volta do Lula é uma tragédia moral e econômica. E eu acompanhei Bolsonaro naqueles debates e desde então, nós iniciamos uma reaproximação e agora estamos unidos nesse projeto maior”, disse.
A fala de Moro reforça a estratégia da campanha de pavimentar o caminho para o apoio integral do eleitorado bolsonarista no Paraná. O estado é considerado um reduto da direita, e a pesquisa Genial/Quaest divulgada na última segunda-feira (27) evidencia a força desse campo na região.
Pesquisa Quaest aponta liderança consolidada de Moro
O levantamento, realizado entre 21 e 25 de julho com 1.104 eleitores em 59 municípios paranaenses, mostra Moro na liderança das intenções de voto para o governo do Paraná. Em um dos cenários de primeiro turno, o senador alcança 39%, seguido por Requião Filho (PDT), com 18%; o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), com 12%; e o secretário estadual Sandro Alex (PSD), com 7%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Os números repetem, em grande medida, o quadro observado na sondagem anterior, de abril. Apesar da alta aprovação do governador Ratinho Junior (81%), e de 63% dos entrevistados avaliarem que ele merece indicar o sucessor, Sandro Alex, o candidato do PSD, segue na quarta colocação. Um dos fatores é o desconhecimento: 68% dos eleitores afirmam não conhecê-lo.
Segundo turno e cenário nacional
A liderança de Moro também se mantém nas simulações de segundo turno. Contra Requião Filho, o senador venceria por 48% a 29%. Em um confronto com Rafael Greca, a vantagem seria de 47% a 25%. Já contra Sandro Alex, o placar mostraria 50% a 18%, a maior diferença entre os cenários analisados.
No plano federal, a mesma pesquisa consolidou a vantagem do bolsonarismo no Paraná. Em um cenário de primeiro turno para a presidência, Flávio Bolsonaro aparece com 42% das intenções de voto, contra 24% de Lula. Esse resultado reforça o discurso adotado por Moro na convenção, de atrelar sua candidatura ao projeto nacional da direita e transformar a eleição paranaense em um termômetro para os próximos pleitos.
Com uma campanha que promete ser fortemente polarizada, Moro tenta agora converter a vantagem nas pesquisas em vitória já no primeiro turno. A aliança com os bolsonaristas, mesmo que recente, é vista pela equipe do senador como um fator decisivo para ampliar o leque de apoio e reduzir o espaço dos adversários.
A oficialização da candidatura ocorre em um momento de reorganização do PL no estado. A legenda aposta em Moro como o nome capaz de manter o Paraná sob o guarda-chuva da direita, ao mesmo tempo em que projeta a imagem do partido nacionalmente. O senador, por sua vez, busca se consolidar como uma das principais lideranças da oposição, usando o palco paranaense para se posicionar para os próximos embates políticos.



