O movimento político Missão realizou neste sábado (1º de agosto), em Brasília, um congresso nacional para apresentar o plano de governo da legenda e oficializar os nomes que disputarão os governos estaduais nas eleições de outubro. O evento, realizado no auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, reuniu cerca de 3 mil filiados, prefeitos e lideranças de todos os estados, conforme balanço divulgado pela organização.
Fundada em 2024, a Missão se apresenta como uma alternativa ao chamado "bipartidarismo" e tenta consolidar um projeto político de centro com viés técnico. A legenda, que hoje conta com 11 deputados federais e 23 estaduais, espera eleger ao menos três governadores e uma bancada de 40 federais em 2026.
Plano de governo prioriza segurança, educação e reforma tributária
O documento programático apresentado no congresso, intitulado "Missão 2030", estabelece metas para as áreas de segurança pública, educação e simplificação tributária. Entre as propostas centrais estão a criação de um sistema único de segurança estadual, com integração de dados entre as polícias civis e militares, e a ampliação do ensino em tempo integral para 60% dos estudantes da rede pública até o fim do mandato.
Na área econômica, o plano prevê a redução da carga tributária para empresas de pequeno porte e a criação de um programa de incentivos para atrair indústrias de tecnologia para o interior dos estados. Segundo o documento, a meta é gerar 2 milhões de novos empregos formais no primeiro ano de governo caso as candidaturas da legenda sejam vitoriosas.
O texto ainda propõe a implementação de um orçamento impositivo estadual, com transparência total das emendas parlamentares, e a criação de um conselho de gestão fiscal composto por membros da sociedade civil. "Nosso plano não é uma carta de intenções, é um contrato com o eleitor", disse a presidente nacional da Missão, deputada federal Fernanda Lopes, durante o discurso de encerramento.
Candidatos lançados em 12 estados
O congresso oficializou candidaturas próprias em 12 estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Amazonas e Pará. Em outros sete estados, a legenda deverá compor coligações com partidos aliados, em negociações que devem ser concluídas até o prazo final de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre os nomes anunciados, o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ricardo Tavares, disputará o governo paulista; a ex-prefeita de Belo Horizonte, Patrícia Andrade, concorrerá em Minas Gerais; e o economista Paulo Sérgio Nogueira, ex-presidente do Banco do Nordeste, é o candidato da legenda no Ceará. No Amazonas, o nome escolhido foi o do engenheiro e ex-diretor da Suframa, João Carlos Mendes.
A legenda, no entanto, ainda busca viabilizar uma candidatura própria no Rio Grande do Sul, onde as negociações com o atual governo estadual estariam em fase avançada. Segundo o vice-presidente da Missão, ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Alberto Vasconcellos, a definição deve ocorrer nos próximos dias.
Estratégia digital e viabilidade eleitoral
O congresso também serviu para apresentar a estratégia de campanha da legenda, que terá forte investimento em comunicação digital. A Missão pretende utilizar inteligência artificial para segmentar mensagens ao eleitorado e ampliar a presença nas redes sociais, com o objetivo de reduzir o custo das campanhas em comparação às eleições anteriores.
Pesquisa interna divulgada durante o evento indica que o movimento tem entre 8% e 11% das intenções de voto nos estados onde lançará candidaturas próprias, com maior desempenho no Paraná e em Goiás, onde chegaria a 15%. Os dados são de um levantamento realizado pelo instituto Opinião & Mercado, contratado pela própria legenda.
No plano nacional, a Missão pretende lançar um manifesto em defesa de um pacto federativo que aumente o repasse de recursos da União para os estados, tema que deverá dominar o debate da campanha presidencial. O movimento, no entanto, ainda não definiu apoio a um candidato à Presidência da República — decisão que, segundo o estatuto da legenda, será tomada pela convenção nacional marcada para o fim de agosto.
Próximos passos até o registro das candidaturas
Com o congresso encerrado, a executiva nacional da Missão inicia agora a coleta de assinaturas para o registro das candidaturas e a montagem dos comitês de campanha estaduais. O prazo final para oficialização dos nomes no TSE é 15 de agosto, e a legenda afirma que todos os processos serão protocolados com antecedência para evitar questionamentos jurídicos.
A presidente Fernanda Lopes também anunciou que a legenda lançará nos próximos dias um portal com o plano de governo completo, incluindo as metas fiscais de cada estado e os indicadores que serão usados para avaliar a gestão. "Queremos que o eleitor cobre cada promessa nossa a partir de números públicos", afirmou.
Com as convenções partidárias se aproximando, o congresso da Missão marca o início da corrida estadual de uma das legendas que mais cresceu desde as últimas eleições municipais. O partido, que em 2024 elegeu 87 prefeitos, aposta no desgaste dos governos estaduais atuais e na polarização nacional para se consolidar como terceira via nas disputas regionais. Nas próximas semanas, a legenda deve anunciar novos apoios e definir as coligações restantes.



