Michelle Bolsonaro disputará Senado pelo DF, diz Bia Kicis
Michelle Bolsonaro disputará Senado pelo DF, diz Bia Kicis

A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu concorrer a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. A informação, dada pela parlamentar em entrevista, é a primeira confirmação pública de uma aliada próxima sobre o projeto eleitoral de Michelle, que vinha sendo tratado como especulação nos bastidores do Partido Liberal (PL).

Trajetória recente da ex-primeira-dama

Michelle Bolsonaro ganhou destaque nacional entre 2019 e 2022, no posto de primeira-dama da República. Durante o período, concentrou ações na área social, com ênfase em políticas para pessoas com deficiência e no diálogo com lideranças religiosas. Ela nasceu em Ceilândia, região administrativa com forte densidade populacional, e é frequentemente identificada como uma representante natural das periferias do DF.

Desde o início da gestão do PL Mulher, em 2023, Michelle percorreu o país em eventos partidários, ampliando sua visibilidade e construindo uma rede própria de lideranças locais. Essa estrutura é vista como um ativo importante para uma campanha ao Senado, que exige articulação municipal e forte presença nas bases.

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O que está em jogo no Distrito Federal

Em 2026, os eleitores do DF vão eleger dois senadores para um mandato de oito anos. As cadeiras estão em disputa porque terminam os mandatos de dois parlamentares eleitos em 2018. Esse cenário abre mais espaço para novas candidaturas do que em pleitos anteriores, tornando a eleição local um dos principais focos de atenção nacional.

Dados eleitorais recentes mostram que o DF é um dos redutos eleitorais mais favoráveis ao bolsonarismo. No segundo turno da disputa presidencial de 2022, Jair Bolsonaro recebeu cerca de 60% dos votos válidos no Distrito Federal, mais de dez pontos percentuais acima da média nacional. Essa força numérica pode ser decisiva para impulsionar uma candidatura de Michelle, que carrega o sobrenome e o capital político da família.

O papel de Bia Kicis no anúncio

Bia Kicis é uma das deputadas federais mais próximas de Jair Bolsonaro e atua no DF desde o início de sua carreira política. Ao assumir publicamente a versão de que Michelle decidiu concorrer, Kicis passa a ser a principal porta-voz do projeto, cargo que deve manter até a oficialização da pré-candidatura.

A deputada ressaltou que Michelle tem interesse em pautas como segurança pública, saúde e educação, e que a decisão foi amadurecida após conversas com familiares e lideranças do PL. Segundo Kicis, a ex-primeira-dama está motivada a ajudar a eleger uma bancada conservadora na Câmara Alta, num momento em que o Senado debate temas caros à direita, como a reforma tributária e o marco temporal.

Estratégia eleitoral e possíveis impactos

O lançamento de uma candidatura de Michelle Bolsonaro no DF deve provocar uma reestruturação do tabuleiro político local. Partidos como PT, PSB e MDB, que já trabalhavam com possíveis nomes para o Senado, terão de ajustar seus planos para enfrentar uma adversária com alto nível de reconhecimento e capacidade de arrecadação de recursos digitais.

No âmbito nacional, a entrada de Michelle fortalece o projeto do PL de ampliar sua participação no Senado, hoje a maior bancada da Casa. Com a presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e o próprio Bolsonaro atuando nos bastidores, a campanha de Michelle pode ser alavancada por uma estrutura partidária já consolidada.

Próximos passos e oficialização

O calendário eleitoral está em curso. As convenções partidárias devem ser realizadas até a primeira quinzena de agosto, e o registro de candidatas e candidatos na Justiça Eleitoral ocorre até o dia 15. Por isso, a definição sobre a chapa do PL no Senado precisa ser tomada em meio a um cronograma apertado.

Segundo Bia Kicis, Michelle deve participar de um ato com lideranças do PL no DF na próxima semana. A deputada disse que a ex-primeira-dama vai apresentar suas propostas para a população da capital federal e do entorno. A convenção do PL no DF, de acordo com Kicis, deverá referendar o nome nos próximos dias.

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A decisão de Michelle Bolsonaro de se lançar ao Senado, ainda que não confirmada oficialmente, já muda o cálculo das forças políticas do Distrito Federal e deve ser acompanhada com atenção por todos os partidos até a eleição de outubro.