O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega neste domingo (2) à convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, onde será oficializada a candidatura à reeleição para um quarto mandato. O evento ocorre no Expocenter Norte, na capital paulista, principal colégio eleitoral do país e foco prioritário da campanha presidencial. A chapa terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice, nome já confirmado em convenção do PSB realizada em Brasília na última quarta-feira.
O encontro reúne a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, além de PSOL, Rede, PSB e PDT. Também participam lideranças como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e os governadores Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia), Rafael Fonteles (Piauí) e Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).
Otimismo da base apesar da rejeição alta
O clima entre os aliados é de otimismo, mesmo com a aprovação do governo aquém do desejado. O principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), aparece estagnado nas pesquisas, sem conseguir formar alianças relevantes para além do PL. A campanha adversária também promoveu mudanças na equipe de comunicação, o que é visto pelo entorno de Lula como sinal de fragilidade.
Pesquisa Datafolha divulgada no dia 24 mostrou Lula e Flávio com alta rejeição: 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam no petista de forma alguma, enquanto 48% disseram o mesmo sobre o senador. No cenário de primeiro turno, Lula lidera com 40% das intenções de voto, oito pontos à frente de Flávio, que soma 32%. Na medição anterior, de 20 de junho, os índices eram de 41% para o presidente e 31% para o senador, indicando estabilidade.
Democracia e soberania como bandeiras
A campanha de Lula investe no binômio “democracia e soberania” para tentar conter Flávio. As palavras estampam camisetas, bonés e faixas levadas por militantes ao evento. O discurso democrático remete à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e busca associar o filho ao extremismo. Nas redes sociais, aliados tratam Flávio pelo apelido depreciativo “Bolsonarinho” e exploram seus questionamentos sobre as urnas eletrônicas.
Já o argumento da soberania ganhou força com o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações brasileiras. A medida permitiu que o petista adotasse um discurso nacionalista e de recusa a interferências estrangeiras. A presença do presidente argentino Javier Milei, ultraliberal, na convenção de Flávio reforça a narrativa de que o adversário representa uma ameaça às instituições
Base partidária e desafios da campanha
A chapa petista repete a composição de 2022, com Alckmin disputando a vice-presidência. Além da federação e dos partidos citados, a coligação buscará ampliar o tempo de televisão e consolidar o programa de governo, ainda em fase final. O evento na capital paulista serve como vitrine para mostrar força e unidade, mas os desafios são evidentes: alta rejeição do atual governo e a necessidade de converter a mobilização em votos.
Com o maior eleitorado do país, São Paulo é considerado estratégico para a campanha. A convenção do PT tenta projetar a imagem de um palanque forte, capaz de atrair eleitores indecisos e de reduzir a vantagem da oposição em segmentos importantes. Apesar do cenário de estabilidade nas pesquisas, a coordenação petista sabe que a corrida será disputada e que a rejeição elevada de ambos os candidatos mantém o eleitorado em alerta.



